VAI ANDANDO QUE ESTOU CHEGANDO

Está a demonstrar-se difícil, quer para a extrema direita, quer para o centro direita, estabilizarem as suas hostes e, mais que tudo, construírem propostas políticas credíveis para o País.

A reunião do grupo parlamentar do PSD serenou um pouco os espíritos, mas nem o mais ortodoxo militante acredita que tudo se resolveu numa reunião à porta fechada. Dentro como fora, as divergências vão manter-se, até pela circunstância de estarem a entrar no tempo de construir listas quer para as eleições europeias, quer para a futura Assembleia. Nesse sentido a anunciada reunião de Rui Rio, que não é deputado, com o grupo parlamentar, que na sua maioria lhe é hostil, vai dar para perceber o quanto as hostes estão ou não pacificadas, sabendo-se que uma eventual derrota em legislativas será pronuncio de saída de líder, o que significa dizer que estamos neste contexto em ponto de intervalo.

Chegar atrasado e propondo alargamento de prazo na reunião com o PS para discutir dois dos temas que vão marcar a actualidade política nos próximos tempos, refiro-me ao pacote de descentralização e às opções para o futuro quadro comunitário 2020/2030 não conferem credibilidade.

Da parte da extrema direita o anúncio de que podem ir sozinhos às próximas eleições acentuou o nervosismo em toda a direita e percebe-se bem porquê. Assunção Cristas já transvertida, com boné adequado, como mulher da lavoura, na imitação do “Paulinho das Feiras“, assenta no populismo, nas inverdades, na procura de esconder os seus compromissos quando foi Ministra da Agricultura e Florestas do governo de Passos Coelho, ou melhor dizendo da Troika, uma linha de intervenção política, que não lhe auguro grande expressão eleitoral. A irem sozinhos não superam os 7%, mas no conjunto, podem faz falta a toda a direita.

Uma das áreas que revelam grandes fragilidades deste governo é sem sombra de dúvidas toda a situação que envolve o momento em que se encontra o Serviço Nacional de Saúde. Todos sentimos quando recorremos aos seus serviços, as demoras, a ausência de condições de atendimento rápido e com qualidade. À sombra dessa ineficiência cresceram como cogumelos as diversas clínicas privadas, tornando a vida dos cidadãos mais pesada porque o recurso a tais serviços privados leva, na maioria dos casos, muito da poupança amealhada de cidadãos com fracos recursos. A saúde e o seu acesso passou a ser negócio, ocupando espaço que deveria ser destinado ao Serviço Nacional de Saúde, conquista de Abril.

Vários movimentos têm vindo a constituir-se alargando o debate sobre não só a inventariação dos estragos que ao longo de anos, e em particular nos tempos marcados pela Troika mas, de igual modo, apresentando soluções para os problemas gravíssimos que o SNS enfrenta, aos quais, o actual governo, não tem dado a resposta adequada, e tão grave quanto tal, não apresentar uma política e medidas que correspondam com solidez, em matérias que envolvam os quadros profissionais, os equipamentos, as verbas orçamentais e sobretudo a clareza do que entendem como política de estado.

A próxima edição do JA coincide com a celebração do Dia Internacional da Mulher, que deve a sua origem à primeira dezena do século vinte. Pelo direito a não ser descriminada, pelo direito ao voto. Hoje, vencidas algumas de tais injustiças, designadamente o direito ao voto, mantêm-se outras, em matéria de direitos sociais, descriminalização salarial, e até mesmo, nos tempos presentes, quanto a agressões físicas e sexuais. É tempo de não baixar braços porque a luta tem de continuar.

Carlos Figueira

carlosluisfigueira@sapo.pt

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