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“O desassoreamento do Arade continua injustamente esquecido”

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Mário Godinho, atual presidente da junta de freguesia de Silves, foi eleito no final de 1985, apenas alguns meses depois de ter sido anunciado o plano de desassoreamento do rio Arade. Apesar das inúmeras visitas de presidentes, primeiros-ministros e ministros, o sonho continua por realizar vinte e cinco anos depois. Durante este tempo, Mário Godinho assistiu também com tristeza à decadência do setor produtivo.

Como encontrou a freguesia quando assumiu funções?
Fui eleito para esta função há mais de 20 anos. Na altura, Silves tinha ainda um tecido produtivo significativo, como a indústria corticeira, metalomecânica e uma agricultura com especial incidência na citricultura, que criavam emprego e bem-estar para os seus habitantes. Passados estes anos, é com muita preocupação, que vejo esse tecido produtivo, em acelerada decadência.

Quantos habitantes tem a freguesia?
Cerca de 11 mil, de acordo com o censos de 2001.

Como define a freguesia?
É uma freguesia que vive, essencialmente, dos serviços e turismo e ainda de uma agricultura que os homens e mulheres teimam em continuar apesar da falta de apoios.

Quais as obras de maior relevância que foram feitas nos últimos anos?
O museu municipal de arqueologia, piscinas municipais, biblioteca municipal e zona ribeirinha, junto ao rio Arade.

O que é que faz mais falta à freguesia neste momento?
Apoiar o setor produtivo, que ainda subsiste, e o desassoreamento do rio Arade.

Está prevista a concretização de algum projeto importante num futuro próximo?
Num futuro próximo, não sei? Pois o Plano Integrado do Desassoreamento do Rio Arade remonta a agosto de 1985 e continua injustamente esquecido, apesar das múltiplas subidas e descidas (só com a maré cheia) de Presidentes da República, primeiros-ministros e muitos e muitos ministros…!

Que medidas têm sido tomadas na área social para apoiar a população nestes tempos de crise?
Pela nossa parte temos tentado contrariar esta tendência com a integração de desempregados através do Instituto de Emprego, colocados ao serviço da junta de freguesia, bem como em várias instituições da freguesia.

Como é que perspetiva o futuro da freguesia?
É com alguma preocupação, pois é minha convicção que não devemos estar dependentes só da indústria do turismo. Devemos apoiar também as pequenas empresas, o comércio local e a agricultura, ou seja, os setores que estão representados na nossa freguesia, pois elas passam por sérias dificuldades, que estão longe de serem ultrapassadas. E o encerramento de portas perspetiva-se para muitos, pois a pobreza, a tal pobreza escondida dos salários e subsídios em atraso e das reformas miseráveis, é uma realidade que cresce e não pode ser ignorada.

Que locais aconselha a visitar na freguesia?
Castelo, Sé, Museu de Arqueologia, Cruz de Portugal, Barragem do Arade e comércio tradicional da cidade de Silves.

Deixe uma frase ao povo da freguesia…
Aos trabalhadores, aos pequenos e médios empresários que lutem contra estas políticas neo-liberais, na esperança de um futuro melhor.

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FICHA PESSOAL:

Nome: Mário José do Carmo Godinho

Idade: 57 anos

Eleito em: Dezembro de 1985

Partido: Partido Comunista Português

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