Percurso com 230 milhões de anos em 230 segundos

Até sexta feira é possível visitar as centenas de galerias e câmaras da Mina de Sal-Gema, localizada no concelho algarvio de Loulé e de onde uma equipa de 18 pessoas com a ajuda de duas máquinas extraem, por ano, 40 mil toneladas de sal.

Graças à Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica – Ciência Viva – grupos de 12 pessoas, por dia, descem de elevador a 230 metros de profundidade e tocam em rochas de sal com milhões de anos, pisam câmaras cobertas de pó de sal com aspeto lunar ou observam ao vivo máquinas roçadoras comandadas por mineiros a escavar rochas de sal.

“É uma ida até ao interior da Terra percorrendo um caminho de 230 milhões de anos em 230 segundos, porque a velocidade do elevador é um metro por segundo e são 230 metros de profundidade”, explicou à Lusa, Alexandre Andrade, engenheiro geólogo da Mina de Sal-Gema, uma estrutura que começou a ser explorada em 1964 e que pertence à CUF Químicos Industriais.

A mina, que extrai minério com 93 por cento de pureza e o exporta para outros países da Europa, permite aos visitantes conhecerem as diferenças entre galerias exploradas no passado com o método da dinamite, mas também a exploração com tecnologia de ponta através de roçadoras que custam dois milhões de euros cada exemplar.

Luís Dias, professor de Biologia e Geologia que há cinco anos participa como monitor na iniciativa “Geologia no Verão”, conta que a viagem arranca sempre pelo “Poço 1” que leva as pessoas até 264 metros de profundidade onde está uma frente de extração.

A iniciativa permite aprender a história da mina e de como a exploração era feita com explosivos que faziam tremer toda a cidade de Loulé, passando depois à exploração com máquinas e ao processamento através do sistema de tapetes.

Através da “Geologia no verão” na Mina de Sal-Gema, os participantes ficam a saber como se começaram a alicerçar os 40 quilómetros de galerias de sal que hoje existem e onde três camiões percorrem diariamente 200 quilómetros, transportando, por hora, 50 toneladas de sal.

A iniciativa é gratuita e todos os anos é um sucesso junto do público que esgota os ingressos nas primeiras horas, explica a organização, referindo que a Mina de Sal-Gema, onde o ar tem um elevado grau de pureza que serve até de espaço para tratamentos de doenças respiratórias, já serviu, no passado, de “sala” de cinema onde foram visionados filmes como a “Noite dos Mortos Vivos” ou “Cabine Telefónica”.

Aquela mina já foi também palco de exposições de arte no âmbito do programa “Allgarve”, por onde passaram quatro mil pessoas em apenas dois meses.

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