Caracas e Bogotá restabelecem relações bilaterais

Os presidentes da Venezuela e da Colômbia, Hugo Chávez e Juan Manuel Santos, respetivamente, chegaram hoje a um acordo para restabelecer as relações bilaterais.

Do acordo saiu também a intenção de desenhar uma estratégica conjunta para combater as ações de grupos armados na fronteira colombo-venezuelano.

O anúncio do restabelecimento das relações bilaterais foi feito em Santa Marta, Colômbia, através de um comunicado lido após o encontro entre Chávez e Santos, que teve lugar na Quinta San Pedro Alejandrino, última residência do Libertador Simón Bolívar (1783–1830).

“Os presidentes da Venezuela e da Colômbia chegaram a um acordo para relançar as relações bilaterais com base num diálogo transparente, direto, respeitoso e privilegiando a via diplomática, buscando garantir a permanência e a estabilidade da relação bilateral, dando estrito cumprimento ao direito internacional e aplicando os princípios de não ingerência nos assuntos internos e de respeito pela soberania e pela integridade territorial dos Estados”, explica o documento.

Segundo o comunicado, ambos os presidentes “também decidiram avançar com a integração bilateral, em benefício do desenvolvimento dos dois povos e, particularmente, das zonas e comunidades fronteiriças, onde acordaram impulsionar programas conjuntos em matéria social e económica”.

Acordaram igualmente criar cinco comissões de trabalho para “o pagamento da dívida e para o reimpulso das relações comerciais”, para “trabalhar um acordo de complementação económica entre ambos os países”, para “desenvolver um plano de trabalho de investimento social na zona de fronteira”, para o “desenvolvimento conjunto de obras de infraestrutura” e para criar uma comissão de segurança.

Juan Manuel Santos e Hugo Chávez resolveram ainda “estabelecer um mecanismo de colaboração a nível de ministros de Relações Exteriores para desenhar uma estratégia conjunta que aborde as problemáticas de fronteira”, que, entre outros fins, “busque prevenir a presença ou ação de grupos armados à margem da lei”.

Ambos os presidentes “decidiram coordenar as atividades dos dois países com vista a aumentar a presença de ambos os Estados na zona de fronteira” e instruíram os chefes da diplomacia a definirem “os procedimentos concretos necessários para tornar efetivo o mecanismo”.

Chávez rompeu a 22 de julho as relações bilaterais com Bogotá, na sequência da acusação colombiana contra Caracas, na Organização de Estados Americanos, segundo a qual a Venezuela estaria a proteger guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e do Exército de Libertação Nacional (ELN).

As relações diplomáticas e comerciais entre Caracas e Bogotá estavam congeladas desde 28 de julho de 2009, por decisão da Venezuela, em protesto contra o anúncio das autoridades colombianas de que tinham encontrado um lote de armas, procedente da Venezuela, nas mãos da guerrilha.

No centro da polémica entre os dois Estados estava ainda a decisão da Colômbia de permitir aos Estados Unidos usarem sete bases militares no país, no âmbito de um programa de luta contra o narcotráfico e o terrorismo.

AL/JA

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