OPINIÃO

A deslocação para as escolas e o trânsito em Faro

OPINIÃO | BEATRIZ CALAFATE
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O aumento das áreas urbanas, decorrentes da evolução civilizacional, criou grandes desafios ao nível da mobilidade, que passou a deter um papel primordial nos meios urbanos. A partir desta premissa, e devido ao facto do crescendo desses meios de transporte, torna-se necessário considerar essa dinâmica a fim de se promover a segurança de todos.

Desta forma, o crescendo urbanístico obriga a uma urgente articulação das muitas variáveis inerentes à mobilidade, designadamente no funcionamento sistémico das diferentes necessidades urbanísticas, no planeamento urbano e na concentração da afluência do movimento automóvel em determinadas horas do dia.

As escolas constituem focos geradores de tráfego, porque promovem diversas viagens no seu período de funcionamento, concentrando assim, num espaço diminuto, várias pessoas. Esta intensa concentração alia-se a um conjunto de comportamentos da população escolar, que dificultam o cumprimento das regras de trânsito.

Existe, nesta sequência, uma urgente necessidade de melhorar os padrões de utilização dos meios de transporte em Faro, com o objetivo de aumentar o bem-estar dos seus cidadãos. Bem como, diminuir os enormes prejuízos ambientais, sociais e económicos, decorrentes do excessivo tráfego de transportes diários de crianças e jovens em transporte particular e, mais especificamente, nas zonas envolventes aos estabelecimentos escolares em horário de “Ponta” à entrada e saída de alunos.

Recomendo, de modo a perceber a notoriedade da situação, e em contraponto, que associem à diminuição do número de viaturas em circulação na cidade, em período de férias escolares, de modo a percebermos a envergadura da dificuldade na mobilidade de peões e automóveis.

Acrescenta-se que há uma notória dificuldade em encontrar alternativas à circulação desordenada nas zonas envolventes a estabelecimentos escolares, o que provoca um acréscimo de insegurança, mais enfatizada nos utilizadores mais vulneráveis, os peões, especificamente nas escolas básicas, onde o risco de atropelamento é maior. Manifestam-se por isso, situações de potencial risco, quando os alunos atravessam as estradas fora das passadeiras, param junto dos automóveis dos seus familiares, criando situações de risco e aumentando a possibilidade de acidentes.

Acresce, às dificuldades anteriormente referenciadas, o tempo desperdiçado pela dificuldade de acesso aos locais de saída e entrada de passageiros, levando à criação de filas intermináveis e circulação em circuito, na tentativa de obter uma posição de estacionamento momentâneo, culminando a situação num formato de imobilização em 2.ª e 3.ª fila. Esta situação resulta muitas vezes em práticas irregulares, levando ao prejuízo do interesse comum que será naturalmente a saída de passageiros de forma rápida e segura. Face ao exposto, seria pertinente que se considerassem soluções para este problema, nomeadamente na definição de horários e zonas delimitadas e vigiadas de transbordo rápida de passageiros, com a colaboração das associações de pais e encarregados de educação e cidadãos em formato de voluntariado, a bem de todas as crianças e jovens nas escolas.

Beatriz Calafate

*Dirigente Sindical do SPZS

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