Categories: EDITORIALOPINIÃO

A economia da serra

A economia da serra

 

 

O primeiro congresso sobre o medronho no âmbito do Festival do Medronho, a realizar em Monchique no próximo dia 20, que permitirá, seguramente, aprofundar as potencialidades deste fruto como importante alavanca da economia da serra algarvia, leva-nos a refletir sobre o quanto os produtos regionais podem contribuir para o crescimento da nossa economia, gerando emprego e riqueza.
Sendo o Algarve uma região turística por excelência, aliás a principal região turística do país e sendo esta atividade o motor da economia algarvia, sempre concordámos que o Algarve não deve viver, apenas, do turismo. Felizmente, registamos, cada vez com maior agrado, o aproveitamento de produtos regionais, como o medronho, como fator de valorização dos produtos endógenes da serra algarvia, de fixação das pessoas à terra e um complemento importante da economia do turismo.
Mas quem diz o medronho, diz a laranja, o mel, a alfarroba, os enchidos, a batata doce de Aljezur, a laranja, os vinhos – em franco progresso e melhoria qualitativa, premiados em concursos nacionais e internacionais – o sal, a doçaria, o polvo de Santa Luzia, os perceves de Vila do Bispo e o marisco, de que Olhão é capital. E a estes podemos juntar a horto-fruticultura tradicional, o cultivo de novos frutos, como os agriões, o morango e os frutos vermelhos que, beneficiando das condições ímpares dos nossos solos e clima, vêm conquistando, com bastante sucesso, o mercado nacional e internacional, sendo de sublinhar o importante papel dos jovens agricultores no desenvolvimento desta actividade. Pena é que tenhamos abandonado a apanha e comercialização da nossa amêndoa e muitos olivais estejam votados ao abandono.
Infelizmente, apesar da proteção comunitária de algumas destas nossas preciosidades, através de denominações de origem e indicações geográficas protegidas, a nossa laranja e a nossa gamba continuam a ser vendidas no mercado espanhol e internacional como “laranja espanhola” e “gamba de Huelva”, um pouco à semelhança do que acontece no turismo, em que “nuestros hermanos” se apropriaram da marca Algarve, para venderem a sua oferta turística, como “Spanish Algarve”.
Mesmo que isto mexa com muitos interesses, está na hora dos nossos responsáveis acabarem com este abuso, repetidamente denunciado. Ou não?

Fernando Reis

Fernando Reis

Director do Jornal do Algarve. Carteira Profissional - 587 A Portugal

Recent Posts

Algarve tem mais 125 casos de covid-19 desde ontem

A Direção-Geral de Saúde (DGS) apontou hoje a existência de 7031 casos de covid-19 no…

3 horas ago

Crónica de Faro: É tempo de Natal

OPINIÃO | JOÃO LEAL

6 horas ago

O maior presépio do País é algarvio

Ao longo de 230 metros, no interior do Centro Cultural António Aleixo em Vila Real…

10 horas ago

Odiana promove tradição de envio de postais de Natal

A associação Odiana, através do projeto “Castro Marim (COM) Vida”, promoveu junto das crianças a…

13 horas ago

Banco de Voluntariado de VRSA procura novos voluntários

O Banco Local de Voluntariado da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António lançou…

1 dia ago

Olhão distribui mais de 500 cabazes de Natal

A Câmara Municipal de Olhão distribuiu esta semana mais de 500 cabazes alimentares às Instituições…

1 dia ago