A questão da água no Algarve

O Algarve tem um problema sério com a água. Ou melhor, com a falta de água. É um problema que a maioria dos habitantes do Algarve não pensa. Afinal, abrem as torneiras e agua jorra a um preço relativamente barato.
Acho que ninguém discorda coma existência do problema da água. Podemos discordar é se ele é urgente ou não. De acordo com conversa com alguém que trabalha na distribuição de água no Algarve, as barragens da região estavam, em junho deste ano, a menos de metade. A ser verdade (provavelmente é e desejo que não), se não chover até ao final do ano e com o consumo normal), as barragens esgotam-se. Sendo assim, seriam tomadas medidas para diminuir o consumo de água no Algarve.

Talvez esteja a pensar que estou a ser alarmista e desejo que tenha razão. Afinal, é normal chover até dezembro no Algarve. É verdade: Porém, existem também anos em que não chove até dezembro e outros em que pouco chove. Do meu ponto de vista, a margem de segurança é demasiado curta e deveriam ser tomadas medidas para a aumentar.
Convém notar que o problema não é exclusivo do Algarve. Outras partes do país (como o Alentejo) também têm o mesmo problema.

As medidas que agradam à maioria das pessoas são do lado da oferta. Ou seja, aumentar a água disponível sem que isso se reflita nos preços. Por exemplo, construindo mais barragens sem passar o custo para os consumidores.

Outra hipótese é ir buscar água ao mar e tirar-lhe o sal e outras impurezas que a tornam imprópria para consumo. Isso é feito em algumas zonas de Espanha. O problema é que continua a ser um processo caro, o que eleva o preço ao consumidor.

Outra hipótese de conseguir mais é, de certa forma, voltar ao sistema de cisternas. Pessoalmente, vivi um ano numa casa que não tinha água corrente e com uma cisterna que armazenava a água da chuva. Era utilizada sem qualquer problema para beber e cozinhar. Era o suficiente para a maior parte das necessidades de águas mas não todas. Quando há muito não chovia era necessária comprar água trazida por camiões para encher a cisterna.

Existem países onde os prédios têm cisternas próprias que são utilizadas complementarmente ao sistema público de distribuição de água. Pessoalmente, não vejo qualquer problema, por exemplo, em utilizar água da chuva, por exemplo, no autoclismo. Talvez devesse passar a ser obrigatório nas zonas do pais com problemas de água, os prédios novos passarem a ter, obrigatoriamente, uma cisterna.

O ideal era utilizarmos a água de uma forma mais eficaz sem aumentar o preço. Todavia, temo que isso não aconteça verdadeiramente sem a subida dos preços. Por exemplo, os agricultores poderiam utilizar mais a rega gota a gota, o que levaria a grandes economias de água. O problema é que sistemas de rega goa a gota custam dinheiro e os agricultores fazem as contas.

Outra possível medida é imitarmos a Alemanha (um país com muito mais água) em relação aos lava-loiças. Na Alemanha é normal existir um botão que desvia a água para um balde. Isso é feito quando não está a ser utilizado detergente e essa é utilizada, por exemplo, para regar plantas.

As hipóteses de medidas são muitas. Provavelmente, nenhuma delas resolve por si só a questão da água. Porém, a tomada das mais diversas medidas contribui para diminuir o problema. Tarde ou cedo, temos de tomar medidas porque o problema não vai desaparecer nos próximos tempos por artes mágicas.

Ivo Dias de Sousa

*professor da Universidade Aberta – ivo.sousa@uab.pt

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