Águas do Algarve investiu 626 milhões em dez anos

Águas do Algarve completam 10 anos de atividade com balanço positivo.

A água está cada vez mais disponível e com mais qualidade no Algarve. Esta é a conclusão possível se analisarmos o trabalho que tem vindo a ser feito na última década na região através da Águas do Algarve que já investiu 626 milhões em abastecimento e tratamento de águas

JA/Sofia Cavaco Silva

Na última década o Algarve evoluiu tremendamente em termos de abastecimento de água às populações e no tratamento das águas residuais. Desde que foi criada em 2000, a empresa Águas do Algarve, já investiu aproximadamente 626 milhões de euros em infraestruturas que são vitais para o panorama atual apesar de muitas vezes esse investimento não ser percetível, já que grande parte consiste em tubagens enterradas.

Mas além deste investimento compreensível apenas pela quantidade crescente de torneiras na região que estão ligadas ao abastecimento público, existem obras tão monumentais na sua dimensão como na sua missão. A barragem de Odelouca é o exemplo acabado dos investimentos monumentais e estruturantes para a região.

Os trabalhos nesta estrutura estão na fase final e os responsáveis acreditam que estará concluída em meados de Julho.  Esta é uma obra que conheceu inúmeros entraves e que apesar da primeira intenção de construção ter surgido em 1972, apenas agora irá ser dada por concluída e irá servir a região dando nova segurança em termos de abastecimento mesmo em épocas de seca.

Sendo provavelmente a obra mais emblemática do trabalho que tem vindo a ser feito na região em termos de água, não é a única nem as outras que têm sido feitas são de menos valor.

Segundo o administrador da Águas do Algarve, Artur Ribeiro, existe muito mérito no trabalho realizado. Ao “nível do abastecimento de água houve uma melhoria enormíssima”, comenta. “Desde que foram criados os sistemas municipais mudou tudo”, garante recordando as dificuldades de abastecimento e a má qualidade da água fornecida até 2000.

Garantindo que a qualidade da água atualmente fornecida é totalmente controlada e os indicadores de desempenho são acompanhados pela Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos, Artur Ribeiro não esconde a satisfação dos 100 por cento de qualidade registada em 2009 na região.

No que respeita ao saneamento, recorda que em 2005 a região tinha apenas 38 por cento do saneamento instalado e passados quase seis anos está nos 90 por cento. “Significa que em cinco anos houve uma melhoria enormíssima da qualidade de água tratada nas Estações de Tratamento das Águas Residuais, que tem consequências claras na qualidade das águas balneares e na qualidade da água das ribeiras”, defende. “Houve certamente um benefício enormíssimo para toda a região”, conclui.

Passados dez anos de intensa atividade, a Águas do Algarve assinala esta data com particular satisfação ao dar um balanço positivo aos resultados conseguidos. Não obstante, ainda há muito para fazer e existem projetos em vias de execução e outros em fase de desenvolvimento.

A Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) da Companheira, em Portimão, é uma das empreitadas que deverá ter início ainda este ano. A ETAR Faro/Olhão é outro dos projetos da empresa mas está ainda em fase de estudo de impacte ambiental para definir a localização desta estrutura.

Obra incontornável obrigou a compensações ambientais

Os primeiros trabalhos sobre a barragem de Odelouca datam de 1972 mas ao longo de décadas o projeto foi encontrando vários entraves, pelo que só passados quase 40 anos a obra se concretiza.

A sua construção foi aprovada com base no argumento de que era vital e de interesse público principalmente no que concerne ao desenvolvimento regional e à gestão sustentada do abastecimento público de água para consumo humano, em quantidade e qualidade, aos municípios do Barlavento Algarvio. A seca vivida na região em 2005 veio confirmar a necessidade desta barragem.

Não obstante, esta barragem irá ainda permitir o reforço de água para os municípios do Sotavento sempre que for necessário através do sistema instalado na Estação Elevatória Reversível, localizada em Loulé.

Construída em sistema de aterro zonado, com uma altura superior ao terreno natural de 76 metros e um desenvolvimento de coroamento de 420 metros, esta barragem tem uma albufeira com capacidade útil de armazenamento de 134 milhões de m3 de água.

Além da barragem foi necessário construir o Túnel Odelouca-Funcho, obra que ficou concluída em 2006.

Os dados oficiais apontam para que esta barragem possa fornecer à região cerca de 50 a 55 hm3 por ano.

A sua água é encaminhada para a Estação de Tratamento de Águas de Alcantarilha num caudal que se estima de 7,8m3 por segundo.

O projeto construído é menor do que o inicialmente delineado por forma a minimizar os danos ambientais na zona de Odelouca. Esta foi uma das opções que tornou viável o projeto, mas a Águas do Algarve teve ainda de assumir uma série de trabalhos de compensação pelos danos ambientais causados com a construção desta barragem.

Além das medidas de minimização do impacto da barragem em termos ambientais, os responsáveis comprometeram-se e estão a concretizar cinco subprogramas de compensação onde está incluído o tão famoso Centro de Reprodução do lince ibérico, trabalhos na área da ictiofauna, uma galeria ripícola, intervenções de promoção da preservação das aves de rapina na zona como por exemplo a reposição de condições de habitat favoráveis.

Noutro lado, das ações de minimização dos impactes ambientais, foram garantidas as condições de gestão de resíduos e efluentes, o controlo da contaminação da ribeira de Odelouca, a decapagem e reutilização de terra vegetal, o acompanhamento arqueológico, ações de formação para todos os técnicos e funcionários envolvidos, a recuperação paisagística e a desmatação da área a inundar.

De acordo com os responsáveis, o trabalho compensatório implicou um investimento superior aos 15 milhões de euros. O total do investimento realizado e atualizado associado ao projeto desta barragem ronda os 81.5 milhões de euros.

Antes de abrir da torneira

De onde vem e por onde passou a água que chega à torneira da sua casa? São muitos tratamentos e os quilómetros que a água percorre para chegar a cada torneira algarvia. Numa época em que se fala da água potável enquanto recurso escasso e que deve ser preservado, o seu valor parece aumentar quando se conhece todo o percurso e trabalho envolvido para que além do abastecimento seja garantida a qualidade máxima.

Os dados oficiais apontam para uma capacidade máxima de abastecimento de água na região através do Sistema Multimunicipal de Abastecimento na ordem dos 180 milhões de m3 anuais. Em época baixa, o sistema serve cerca de 450 mil pessoas e está preparado para dar resposta à população flutuante, estimando-se que no Verão garanta água a milhão e meio de pessoas.

Para que a água que é distribuída esteja nas melhores condições possíveis, a Águas do Algarve construiu Estações de Tratamento. No caso da água da barragem de Odelouca, ela será enviada para a Estação de Tratamento de Alcantarilha, até ao momento a maior da região. Nesta estação, a água entra numa linha de tratamento. Turva, acastanhada e cheia de força entra na estação onde é tratada com vários processos, nomeadamente: a pré-oxidação, a coagulação, a decantação, a filtração, a desinfeção e o ajuste do pH.

Durante todo este processo, é evitada a evaporação da água e toda a água residual regressa ao ponto de início de tratamento das águas para voltar a entrar no processo de limpeza e purificação.

No final desta linha de tratamento, o acastanhado das águas desapareceu por completo e as impurezas e terras foram selecionadas e agrupadas para serem tratadas na linha de tratamento de lamas.

Na sala de comandos, os técnicos têm ainda acesso a várias informações sobre todo o sistema e são informados sobre a necessidade ou não de alterar procedimentos por forma a garantir que a água que sai para as casas algarvias tem a máxima qualidade.

Tratamento de águas residuais é vital para qualidade ambiental

A  Águas do Algarve garante que encara com o mesmo rigor a questão do tratamento das águas residuais assim como das águas para consumo humano. Este é um setor de trabalho da empresa que implica um cuidado especial já que a água que é tratada é depois encaminhada para a natureza. No caso da Estação de Tratamento de Faro Noroeste, as águas tratadas são posteriormente encaminhadas para a Ria Formosa.

Os técnicos responsáveis por estas estações dizem em tom de graça que neste processo de tratamento: “cheirar mal no inicio da linha de tratamento e não ter cheiro no final: é bom sinal!”. Apesar do tom ligeiro como a questão é formulada não esconde a importância de que o tratamento seja eficaz. “Tem consequências claras na qualidade das águas balneares e na qualidade da água das ribeiras”, garante Artur Ribeiro. Essa qualidade é também a garantia de uma menor intrusão nos eco sistemas como é o caso da Ria Formosa, onde a questão da poluição e qualidade da água é particularmente pertinente e acompanhada com regularidade.

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