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A vitória do Syriza na imprensa europeia. “Gregos elegeram a esperança, mas também a incerteza”

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Toda a imprensa europeia tem os olhos postos na Grécia. A vitória do Syriza nas eleições legislativas deste domingo é o destaque principal nos sites dos jornais europeus, que questionam se o resultado abrirá portas ou não para uma mudança no rumo político da Europa.

O “El País” escreve que o triunfo da esquerda radical na Grécia abre uma nova era política e obriga a Europa a refletir sobre as políticas anticrise. “Os gregos elegeram este domingo a esperança, mas também a incerteza, frente ao medo do futuro e a miséria do presente, a acreditar pelo avanço dos resultados, que dá uma folgada vantagem à esquerda radical do Syriza frente ao partido de centro-direita da Nova Democracia”.

O resultado, escreve o “El País”, “abre uma nova era na política grega e sem dúvida terá repercussões no resto da Europa, obrigando a uma reflexão sobre as políticas seguidas durante e pós-crise”.

“PASOK, o Titanic socialista” é o título de outro artigo do “El País”, que destaca a pesada derrota do partido de Evánguelos Venicelos, que, segundo os primeiros resultados, surge em sexto lugar, passando a ser irrelevante no novo cenário político grego.

No “El Mundo”, Thodoris Georgakopoulo escreve uma crónica sob o título “Tsipras, o flautista que encanta a Grécia e assusta a Europa”, onde aborda o percurso do líder do Syriza, Alexis Tsipras, e o possível efeito de contágio político na Europa. Será Tsipras um “político comprometido” ou um “louco inexperiente?”, questiona Georgakopoulo.

O jornal britânico “The Guardian” dedica um editorial no site defendendo que as eleições gregas “destruíram as regras do período pós-recessão” e “abanaram a União Europeia”. “Durante seis anos, os gregos protestaram contra as imposições de Bruxelas e neste domingo a paciência finalmente acabou, especialmente entre a classe média, derrotando o governo da Nova Democracia, pró-austeridade, e elegendo a coligação de esquerda Syriza, que é contra a austeridade”, pode ler-se no editorial.

O texto refere ainda que o resultado terá como consequência que “o passado não mais servirá de guia para o futuro, pelo menos em Atenas, se é que não mesmo na Europa”.

Já a BBC sublinha a “substancial vitória eleitoral” do Syriza. O francês “Le Monde” realça a “vitória histórica da esquerda radical” na Grécia, defendendo o seu enviado especial a Atenas que Alexis Tsipras “será suficientemente forte para governar sem coligação, quer ele tenha maioria absoluta ou não”.

“Syriza já festeja antes da maioria absoluta”, escreve por sua vez o jornal alemão “Die Welt”, que dá conta da comemoração de milhares de pessoas nas ruas de Atenas, logo após as primeiras projeções eleitorais.

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