Academias do Conhecimento: Gulbenkian tem 2,5 milhões de euros para entidades sem fins lucrativos

Pedro Cunha

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Têm que se comprometer a promover o ensino de novas competências em crianças e jovens até 25 anos. Podem candidatar-se associações culturais, desportivas, juvenis, de pais, bem como IPSS, ONG, autarquias, escolas ou universidades

DOMINGOS VIEGAS

Termina no próximo dia 11 de junho o prazo para que organizações públicas ou privadas sem fins lucrativos apresentem a sua candidatura para criar uma Academia do Conhecimento para jovens até aos 25 anos. O projeto é da Fundação Gulbenkian, que tem 2,5 milhões de euros para distribuir pelas entidades que se comprometerem a desenvolver novas competências junto das crianças e jovens.

Podem concorrer associações juvenis ou de pais, culturais ou desportivas, organizações não-governamentais (ONG), instituições particulares de solidariedade social (IPSS), autarquias, escolas ou universidades. O projeto a apresentar em cada candidatura deve incidir no desenvolvimento de novas competências, de forma a preparar os jovens para o futuro.

“Vamos apoiar as melhores ideias. Normalmente, nestas situações, há um conjunto de burocracias que afastam estas entidades dos processos de candidatura. Mas nós estamos a esforçar-nos para que as candidaturas cheguem a todos. Queremos chegar às pequenas organizações, do país real. Só pedimos que nos apresentem uma ideia. Depois, ajudamos a fazer a candidatura”, explica Pedro Cunha, responsável por este projeto da Fundação Gulbenkian, em declarações ao Jornal do Algarve.

De acordo com o Fórum Económico Mundial (FEM), quatro em cada cinco crianças que estão a entrar agora na escola vão sair para o mercado de trabalho para exercer funções que ainda não existem. A previsão do FEM diz ainda que metade dos empregos de hoje estão em risco pela automoção e que 40 por cento daquelas que hoje são consideradas “competências-chave” serão consideradas obsoletas em 2030.

“Temos um ensino muito centrado em conhecimentos básicos, mas o mercado de trabalho está a mudar com muita rapidez. Quatro de cada cinco crianças vão ter empregos que ainda nem foram inventados. É um mar de muitas incertezas e só sabemos que vai mudar”, diz Pedro Cunha.

O objetivo da Fundação Gulbenkian é, precisamente, o de promover competências que ainda estão pouco desenvolvidas no sistema educativo convencional. O projeto Academias do Conhecimento pretende chegar a 10 mil jovens nos próximos cinco anos e “dotar uma centena de organizações sem fins lucrativos de metodologias e estratégias que, comprovadamente, desenvolvam novas competências” nas crianças e jovens, reforça aquele responsável.

“Definam o que querem fazer e implementem as atividades para promover essas competências. Nós damos 30 mil euros a cada uma ou até 60 por cento do custo total. Desta forma, há a possibilidade de as organizações não terem que investir dinheiro. Também garantimos a formação e o acompanhamento”, explica Pedro Cunha, acrescentando que as organizações podem candidatar-se a implementar metodologias que já estão validadas (há quatro que podem ser consultadas no ‘site’ do projeto) ou apresentar as suas próprias propostas e metodologias.

Pedro Cunha diz que, de certa forma, muitas organizações “já estão a implementar, mas com outra roupagem”, algo muito semelhante ao que o projeto pretende. E exemplifica: “Por exemplo, uma sociedade filarmónica ensina muito mais do que música às suas crianças e jovens, um clube desportivo ensina mais do que alguma modalidade desportiva… Queremos chegar a estas pequenas organizações. A Fundação Gulbenkian criou estes apoios para que cheguem à sociedade civil.”

Estas Academias do Conhecimento terão que promover “atividades de âmbito artístico, científico, comunitário, cultural ou desportivo”, em áreas tão díspares quanto “a educação, a saúde, questões sociais ou tecnológicas, que desenvolvam, nas crianças e jovens com menos de 25 anos, competências como o pensamento crítico, a comunicação, a resiliência, o trabalho em equipa, a superação da frustração, a capacidade de resolver problemas complexos ou a adaptação à mudança”, explica o mesmo responsável.

As organizações que pretendam criar uma Academia Gulbenkian do Conhecimento poderão candidatar-se até ao próximo dia 11, através da internet (Gulbenkian.pt/academias).

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