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Águas do Algarve não comenta estudo sobre composto cancerígeno mas garante que “cumpre rigorosamente” a lei

A empresa Águas do Algarve garantiu esta quinta-feira que “cumpre rigorosamente” a legislação portuguesa sobre a tratamento de águas, mas escusou-se a comentar a notícia sobre a alegada adição excessiva de químicos suscetíveis de provocar cancro da bexiga nos tratamentos de água em Portugal.
Segundo um estudo realizado por investigadores do Instituto de Saúde Pública de Barcelona (ISPB), divulgado em comunicado, Portugal está entre os países em que a concentração de trihalometanos (THM) compostos tem picos que ultrapassam o máximo de 100 microgramas por litro permitidos na União Europeia (UE) e que estão também estipulados na legislação nacional.
Em declarações ao JA, a porta-voz da Águas do Algarve assegurou que nos tratamentos de água feitos nas Estações de Tratamento de Águas (ETA) sob sua administração – Alcantarilha, Beliche, Fontainhas e Tavira – a legislação portuguesa é cumprida “com o máximo rigor”, embora escusando-se a comentar valores.
A legislação nacional em vigor, de 2017, que transpõe para a ordem jurídica interna uma diretiva relativa à qualidade da água destinada ao consumo humano, indica um máximo admissível de 100 microgramas por litro. Até 2007 aqueles parâmetros máximos – também explicitados numa diretiva comunitária, de 1998 – eram de 150 microgramas.
Segundo o trabalho dos cientistas espanhóis, os cerca de 6500 casos anuais de cancro na bexiga, cerca de 5% de todos os casos na Europa, incluindo em Portugal, podem ser atribuídos à exposição a químicos (trihalometanos) na água potável.
Os dados compilados pelo estudo indicam, no entanto, que a concentração anual média de THM na água da torneira em Portugal é muito inferior ao máximo permitido: apenas 23,8 microgramas por litro. O que está em causa, avaliam, são mesmo os picos.
Os trihalometanos formam-se no processo de desinfeção da água e são um conjunto de quatro compostos orgânicos: Clorofórmio (CHCl3), Bromodiclorometano (CHBrCl2), Dibromoclorometano (CHBr2Cl) e Bromofórmio (CHBr3). O potencial carcinogénico dos THM já era conhecido, mas o estudo divulgado hoje pretende estabelecer uma relação direta entre a exposição a esses compostos e casos de cancro da bexiga.
“Investigações anteriores haviam estabelecido uma associação entre a exposição prolongada a THM – seja por ingestão, inalação ou absorção dérmica – e o aumento do risco de cancro da bexiga”, refere o comunicado do ISPB. O ISPB analisou a presença de trihalometanos na água da torneira de 26 países da UE, à exceção da Bulgária e da Roménia.
Em termos de percentagem, o ISPB lista como países com maior incidência de casos de cancro da bexiga atribuíveis a exposição a THM Chipre (23%), Malta (17%), Irlanda (17%), Espanha (11%) e a Grécia (10%). Portugal regista uma incidência de 9,1%. No extremo oposto estão a Dinamarca (0%), a Holanda (0,1%), a Alemanha (0,2%) a Áustria (0,4%) e a Lituânia (0,4%).


Os autores do estudo, publicado no boletim científico Environmental Health Perspectives, analisaram dados recentes sobre os níveis de THM nas redes municipais de água da Europa e estimaram a carga de doença para o cancro da bexiga atribuível à exposição a este composto. “O maior desafio foi recolher dados representativos sobre os níveis nacionais em todos os países da UE. Esperamos que estes dados estejam mais prontamente acessíveis no futuro”, disse Cristina Villanueva, investigadora que coordenou o estudo.
Os investigadores enviaram questionários a entidades responsáveis pela qualidade da água municipal a requisitar informação sobre a concentração total e individual de trihalometanos nas torneiras da rede de distribuição e nas estações de tratamento de água. Complementarmente, foram obtidos dados de outras fontes, como publicações ‘online’, relatórios e literatura científica. Foram obtidos dados de 2015 a 2018 em 26 países da União Europeia, cobrindo 75% da população, que revelaram diferenças consideráveis entre países.
O nível médio de trihalometanos na água potável situou-se abaixo do limite máximo permitido na União Europeia em todos os países, mas os picos de concentrações máximas reportadas excederam o limite em nove países (Chipre, Estónia, Hungria, Irlanda, Itália, Polónia, Portugal, Espanha e Reino Unido).

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