ECONOMIA

AHETA acha injusta saída de Portugal do corredor verde para Reino Unido

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Aeroporto de Faro

A retirada de Portugal do corredor verde de voos para Reino Unido é “injusta” e “penaliza” o Algarve pelas infeções de covid-19 registadas em zonas como Lisboa, frustrando expectativas para o verão, disse o presidente da associação hoteleira regional.

O presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), Elidérico Viegas, reagiu assim à decisão anunciada hoje pelo Governo britânico e que obriga os passageiros proveniente de Portugal a cumprir quarentena na chegada ao Reino Unido, devido a uma taxa de positividade que quase duplicou desde a última revisão em Portugal, em 17 de maio, segundo o ministro Transportes britânico, Grant Shapps.

“Apesar de injusta, é uma má notícia para nós e isto não deixa de afetar negativamente as boas perspetivas que tínhamos para este verão, uma vez que, além da procura do mercado interno, estávamos a ter um aumento muito significativo de reservas oriundas do Reino Unido e isso fazia prever que tínhamos um verão bastante melhor do que no ano passado”, afirmou Elidérico Viegas em declarações à agência Lusa.

O presidente da AHETA mostrou-se “plenamente convicto” de que “a situação poderá ser revertida daqui a três semanas, quando for analisada novamente pelo Governo britânico”, mas reconheceu que a notícia é “desmotivadora”.

“Embora nenhum outro destino concorrente tenha sido incluído na lista verde, os britânicos podem continuar a vir de férias, agora sujeitos a restrições no regresso ao país, designadamente a quarentena, mas a verdade é que isto é desmotivador para quem quer fazer férias no exterior e não deixa de ter impacto negativo nas reservas e na procura turística”, acrescentou.

Elidérico Viegas lamentou que o Algarve esteja “a ser penalizado mais uma vez, não por ter indicadores acima dos considerados seguros, mas porque o resto do país, designadamente a zona de Lisboa, apresenta um número importante do número de infetados e no chamado índice de transmissibilidade, conhecido como RT.

“A nossa diplomacia poderia desenvolver aqui esforços, no interesse público da região, mas também do país, para que o destino para onde os britânicos vêm preferencialmente, que é o Algarve, fosse salvaguardado”, apelou Elidérico Viegas.

Questionado sobre o impacto nas reservas para a região, o presidente da AHETA respondeu que “tem efeitos imediatos de suspensão de marcações, de cancelamentos para os próximos dias”, mas sublinhou que esta tendência “também se verifica quando é positivo, como aconteceu em 17 de maio, com a integração na lista verde” de Portugal.

A saída de Portugal da “lista verde” deverá entrar em vigor a partir das 04:00 de terça-feira, quando o país passar para a lista “amarela”.

Os países na “lista amarela” estão sujeitos a restrições mais apertadas, nomeadamente uma quarentena de 10 dias na chegada ao Reino Unido e dois testes PCR, no segundo e oitavo dia, como já acontece com a maioria dos países europeus, como Espanha, França e Grécia.

Portugal era até agora o único país da União Europeia (UE) na “lista verde”, que isenta os viajantes de quarentena no regresso a território britânico, em vigor desde 17 de maio. A lista de destinos seguros é assim reduzida a 11 países e territórios, mas a maioria é bastante longínqua ou não deixa entrar turistas, como Austrália, Nova Zelândia, Singapura, Brunei e Ilhas Malvinas, restando a Islândia como o destino mais acessível.

Segundo a comunicação social britânica, o Governo britânico não vai adicionar mais nenhum país à “lista verde”, nomeadamente Espanha, que eliminou os requisitos de entrada dos britânicos com esperança de estimular o setor do turismo.

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