MUNDO

Al-Qaeda com planos para atacar cidades europeias

É a mais séria ameaça da Al-Qaeda ao Ocidente nos últimos anos, dizem os serviços secretos americanos e europeus. E, por isso, a investigação estaria ainda hoje em sigilo, não tivessem surgido informações na imprensa americana de que a CIA aumentou o número de ataques com mísseis em território paquistanês a fim de travar atentados na Europa.

A revelação foi feita ontem pelo “Wall Street Journal” citando actuais e antigos funcionários norte-americanos da CIA, que deram conta de um aumento galopante do número de disparos de mísseis por parte de aviões não tripulados norte-americanos nos bastiões taliban e da Al-Qaeda no Paquistão. A notícia obrigou os serviços de inteligência dos Estados Unidos e da Europa a dar mais explicações sobre o recrudescimento dos bombardeamentos.

À BBC, os serviços secretos britânicos alegam a ameaça de rapto e assassínio de reféns ocidentais, à semelhança dos ataques realizados em 2008 na cidade indiana de Bombaim.

Actuais e antigos responsáveis não identificados da Agência Central de Inteligência (CIA) nada adiantaram ao “Wall Street Journal” sobre a natureza exacta da ameaça terrorista contra vários países da Europa que esteve na origem do aumento desses disparos. Apenas revelam que se destinava a países como o Reino Unido, a França e a Alemanha.

O Governo de Berlim afirmou hoje estar “ao corrente” dos planos de um ataque “a longo prazo”, mas garantiu que até agora “não há nenhum indício concreto de atentados iminentes na Alemanha”, indicou o porta-voz do Ministério do Interior, Stefan Paris, num comunicado citado pela AFP.

Ameaça real preocupa grandes da Europa

Em menos de um mês, pelo menos vinte bombardeamentos atingiram a fronteira paquistanesa com o Afeganistão, na zona onde actuam talibans paquistaneses. Os ataques são frequentes desde Agosto de 2008, mas Setembro conheceu um recorde absoluto de atentados, o maior dos últimos seis anos, segundo informou ao mesmo jornal a Fundação Nova América, um “think tank” norte-americano.

A região – que funciona como base de retaguarda dos talibans afegãos – concentra os principais campos de treino da Al-Qaeda.

À margem destas revelações, a secretária de Segurança Interna norte-americana, Janet Napolitano, já tinha prometido discutir o combate ao terrorismo com os seus homólogos europeus.

O Reino Unido mantém o alerta máximo desde Janeiro, mas é a França que mais suspeitas tem levantado nas últimas semanas. Várias declarações do Governo de Paris têm apontado para ameaças terroristas por parte da Al-Quaeda.

Ainda na segunda-feira foi a vez de o ministro do Interior, Brice Hortefeux, falar na “ameaça iminente de um atentado” em França, perante um alarme de bomba numa estação de metro da capital que se veio a revelar infundado. Palavras que voltaram a ouvir-se ontem à tarde, na sequência do segundo alerta de bomba à Torre Eiffe em menos de 15 dias.

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