Algarve perde milhões por ter um porto pequeno

O investimento de 17,5 milhões que foi adiado para o porto de Portimão iria permitir a receção de navios cruzeiros até 272 metros (em vez dos atuais navios de 215 metros), já em 2020

A região algarvia está a perder milhares de passageiros e milhões de euros por ano por não ter um porto de cruzeiros capaz de acolher navios de grandes dimensões. Neste caso, o tamanho importa e as obras que deveriam arrancar este ano em Portimão iriam permitir receber cruzeiros até 272 metros, em vez dos atuais navios de cerca de 215 metros. No entanto, a requalificação do único terminal de cruzeiros da região foi adiada. É caso para dizer que o Algarve fica a ver navios… outra vez!

O Algarve está a ficar para trás num dos segmentos turísticos que mais tem crescido em Portugal e em todo o mundo. Há mais de uma década que as obras de requalificação do porto de Portimão – onde está o único terminal de cruzeiros da região – são consideradas fundamentais para permitir receber navios de maior dimensão e, por sua vez, com maior capacidade de passageiros.

Os números a que o JORNAL DO ALGARVE teve acesso dão bem conta dos milhares de passageiros – e dos milhões de euros – que a principal região turística do país está a perder a cada ano que passa. As contas são fáceis de fazer: em 2018, o terminal de cruzeiros de Lisboa recebeu mais de 577 mil passageiros (cerca de 300 navios), o Funchal recebeu perto de 538 mil passageiros (283 navios) e até o novo terminal de Leixões, inaugurado há três anos, recebeu mais de 117 mil passageiros (101 navios).

Atualmente, os navios com mais de 215 metros de comprimento têm de ficar fundeados ao largo do porto de Portimão

Já Portimão, que recebe cruzeiros desde 2007, ficou abaixo dos 37 mil passageiros em 2018 (66 navios), o que, mesmo assim, representou um crescimento homólogo de 23%, embora esta subida tenha sido um reflexo do retomar da ligação entre o porto de Portimão e a Região Autónoma da Madeira.

E estes números só não disparam, à semelhança do que está a acontecer nos outros terminais de cruzeiros nacionais, porque o porto de Portimão não está preparado para receber navios de grandes dimensões.

As principais companhias mundiais já manifestaram intenção de vir mais ao único porto de cruzeiros algarvio, mas só depois da conclusão das obras

Requalificação do porto novamente adiada

O início da requalificação do porto algarvio, que estava previsto para junho de 2019, com um prazo de conclusão fixado em outubro de 2020, foi novamente adiado. A ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, reconheceu recentemente, em resposta a José Carlos Barros, deputado do PSD eleito pelo Algarve, um “deslizar dos prazos”, explicando que “surgiram aspetos mais complexos ligados à arqueologia” no decurso do processo de avaliação de impacte ambiental, o que leva à “necessidade de elaboração de estudos adicionais” e a um “deslizar dos prazos” para o lançamento da empreitada.

Porém, para José Carlos Barros, “este é mais um lamentável exemplo de investimento público anunciado para o Algarve nesta legislatura e que não será concretizado”, numa obra de “particular importância estratégica para o turismo e a economia da região”.

Quem também não está satisfeita com este adiamento das obras é a presidente da Câmara de Portimão, Isilda Gomes, que há anos anda a reivindicar este investimento no porto de cruzeiros. Em declarações esta semana ao JORNAL DO ALGARVE, a autarca diz que o derrapar dos prazos “é uma fonte de grande preocupação e indignação”…

(NOTÍCIA COMPLETA NA ÚLTIMA EDIÇÃO DO JORNAL DO ALGARVE – NAS BANCAS A PARTIR DE 7 DE FEVEREIRO)

Nuno Couto|Jornal do Algarve

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