Algarve perdeu 1,8 milhões de dormidas em três anos

O Algarve perdeu 1,8 milhões de dormidas entre 2007 e 2009, registou uma quebra nas taxas de ocupação das unidades hoteleiras e uma diminuição nos proveitos por alojamento. Estes dados, divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), revelam que o turismo na região continua longe da recuperação.

De acordo com o relatório, o Algarve prosseguiu em 2009 a quebra já verificada no ano anterior, tanto no que se refere ao número de dormidas, como ao número de hóspedes. No espaço de apenas dois anos, perdeu aproximadamente 1,8 milhões de dormidas e 200 mil hóspedes.

Apesar de acompanhar a tendência que se verifica em todo o território nacional, a região apresenta “quebras mais acentuadas do que o resto do país”, refere o INE. Cenário que está relacionado com o facto de estar mais dependentes dos mercados estrangeiros, que, no ano passado, representaram 72 por cento das dormidas totais. Além disse, um dos principais mercados é o Reino Unido, cuja procura, em 2009, foi fortemente penalizada pela desvalorização da libra.

Mais portugueses

Entre 2005 e 2009, o Algarve viu a quota de mercado em termos de dormidas e de hóspedes cair, face a outras regiões do país. No entanto, quando analisada a quebra em função de clientes estrangeiros e portugueses, conclui-se que os últimos apresentaram um crescimento, ainda que residual, de 0,3 pontos percentuais em termos de dormidas.

Os portugueses têm um peso cada vez maior na oferta turística da região, tendo passado de um peso de 22,9 por cento, em 2005, para 28,2 por cento, em 2009. Relativamente ao mercado estrangeiro, Reino Unido e Alemanha são os dois principais emissores, mas também os países que registaram maiores quebras, na ordem de sete e 2,8 pontos percentuais, respectivamente. Já os mercados holandês e espanhol demonstraram comportamento inverso.

Quanto aos proveitos gerados nos estabelecimentos hoteleiros, o cenário também é de redução. Se, em 2008, a região alcançou receitas de 403.573 mil euros (seguindo a rota de crescimento verificada desde 2005), no ano passado não ultrapassou os 361.290 mil.

Apesar desta descida, os proveitos de aposento por hóspede aumentaram cinco euros entre 2005 e 2009, passando a situar-se nos 131,9 euros. O problema foi a diminuição no número total de hóspedes.

Os hotéis continuam a ser o tipo de estabelecimento mais procurado, sendo responsável por 33,8 por cento das dormidas na região, depois de ter atingido 35,5 por cento em 2007. Já os hotéis-apartamento estão em crescimento, tendo passado de quota de 22,4 por cento em 2005 para 23,5 por cento, no ano passado.

Além disso, foi nos hotéis que se verificou uma maior queda nas taxas de ocupação (menos 11 pontos percentuais entre 2007 e 2009). Pelo contrário, os aldeamentos turísticos e os apartamentos turísticos conseguiram manter níveis de ocupação mais estáveis nos últimos anos.

A sazonalidade continua a ser um atributo visível no comportamento turístico do Algarve. Em 2009, a região concentrou no terceiro trimestre 44,5 por cento das dormidas geradas durante todo o ano, o que representa um acréscimo de 1,9 pontos percentuais face a 2005. Em contrapartida, o peso relativo das dormidas realizadas durante o primeiro e o quarto trimestres foram aproximadamente 20 por cento inferiores aos registos médios nacionais.

O concelho de Albufeira registou um total de 5,8 milhões de dormidas, o que, apesar de representar uma quebra de 400 mil face ao ano de 2008, assumiu um peso relativo na região de 45,2 por cento, mantendo-se, por isso, como líder na região. Seguem-se Loulé e Portimão.

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