“Algarve tem potencial para ser uma grande região de vinhos”

Os administradores do Grupo Aveleda, Martim Guedes e António Guedes

Entrevista de Martim Guedes, um dos administradores do Grupo Aveleda:

Os administradores do Grupo Aveleda, Martim Guedes e António Guedes

O que fez a Aveleda investir no Algarve? Alguma ligação pessoal, sentimental ou familiar, ou, simplesmente, uma oportunidade de negócio?
Até há cerca de um ano, nem eu nem a maioria dos diretores da Aveleda tinha provado algum vinho do Algarve. Foi através de um amigo que ficámos a conhecer a região. Os vinhos foram uma agradável surpresa e percebemos que a região já está a fazer vinhos de grande qualidade. Ficámos imediatamente com curiosidade para perceber o porquê, os solos, o clima, as castas… Percebemos que tem o potencial para vir a ser uma grande região de vinhos e temos vontade de fazer parte desse caminho. Por isso decidimos investir.

O que considera que a região tem para oferecer ao Grupo Aveleda?
Pensamos que pode trazer ao nosso portefólio um conjunto de vinhos diferentes e complementares dos que já fazemos, no Douro e na Bairrada. Mas, sobretudo, sentimos que há um enorme potencial no próprio mercado algarvio, sobretudo no canal Horeca, que valoriza os vinhos da região, mas onde a larga maioria do consumo ainda é de outras regiões. Estamos certos que isso vai mudar e cada vez vai ser mais natural, para quem visita o Algarve, beber vinhos locais.

Créditos fotográficos: Grupo Aveleda e Vico Ughetto // CVA

Quais os objetivos do grupo para o projeto algarvio?
A nossa ambição é grande. Sentimos que a região pode ir longe, depois de ter feito nos últimos 15 anos um trajeto qualitativo muito importante, mas que ainda não foi totalmente divulgado. Acreditamos que os vinhos do Algarve têm de ser o vinho de referência na região, mas também fora dela. Ainda não começámos a comercializar e já temos pedidos, dos EUA, do Canadá… O nome Algarve é muito conhecido e gera muito interesse. O outro sonho é o enoturismo. A região precisa de diversificar a oferta para além da praia e do golfe, por isso, o enoturismo faz todo o sentido. E a nossa leitura é que essa procura não é só no verão, mas sim ao logo de todo o ano. Por isso, vamos fazer um investimento importante no enoturismo.

De uma forma sintética, em que consiste o negócio? Já compraram uma das propriedades pioneiras da fase de renascimento da região…
Visitámos várias propriedades no Algarve e a Quinta do Morgado da Torre, no concelho de Portimão, tinha condições perfeitas: está na zona de influência da serra de Monchique, significando que tem um clima mediterrânico ameno; excelentes solos argilo-calcários; parte da quinta é plana (excelente para castas brancas) e parte em encosta (excelente para castas tintas). Além disto, a localização, em Alvor, tem ótimos acessos, para potenciar o enoturismo. Assim, comprámos parte dos ativos da Quinta do Morgado da Torre e alugámos outros, ficando todos esses ativos dentro da Aveleda.

Créditos fotográficos: Grupo Aveleda e Vico Ughetto // CVA

Qual vai ser a aposta no Algarve em termos de vinhos?
Consideramos que o investimento numa gama “premium” do Algarve faz todo o sentido. Achamos que o nome da região tem de ser construído com vinhos de topo e de prestígio, porque isso é bom para as marcas e porque há procura no mercado para esse segmento. Queremos, de alguma forma, participar na divulgação e crescimento do Algarve porque acreditamos na região. É um processo que vai demorar, mas estamos cá para o longo prazo.

Créditos fotográficos: Grupo Aveleda e Vico Ughetto // CVA

Na sua opinião o que acha que falta à região para se afirmar em termos nacionais? Poderá a Aveleda ajudar a colmatar essas lacunas?
Percebemos que a região precisava de ganhar consistência nos seus vinhos, mas já está a fazer esse caminho. Agora precisa de investimento na vinha e na comunicação, e aí podemos ter um papel a desempenhar. Vai ser preciso algum tempo para perceber melhor o caminho a seguir. À partida, tem todas as condições naturais para se tornar uma referência internacional em rosés de qualidade, mas precisamos de ver se se confirma essa possibilidade.

(ENTREVISTA PUBLICADA NA ÚLTIMA EDIÇÃO DO JORNAL DO ALGARVE – NAS BANCAS A PARTIR DE 28 DE FEVEREIRO)

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