Ambientalistas apelam a Cavaco para impedir “crime ambiental”

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As organizações ambientalistas Almargem, A Rocha, LPN e SPEA acabam de enviar uma carta ao Presidente da República alertando-o para o impacto do empreendimento turístico recentemente apresentado para a zona da Praia Grande/Lagoa dos Salgados, no concelho de Silves, com quatro mil camas e campo de golfe. Os ambientalistas apelam a Cavaco Silva para que “exerça a sua alta magistratura de influência no sentido de impedir mais este crime ambiental”.

Segundo a carta, a pretensão em desenvolver nesta área sensível um mega-empreendimento turístico, “ainda por cima às mãos do Grupo Galilei (ex-SLN, um dos tentáculos do famigerado BPN), é uma autêntica irresponsabilidade e um atentado ao pouco património natural preservado que ainda resta na costa sul do Algarve”.

“Por razões diversas, o espaço entre as ribeiras de Espiche e de Alcantarilha, a chamada zona da Praia Grande, encontra-se ainda nessa situação de natureza quase virgem. Trata-se de umas das mais importantes zonas húmidas do Algarve (Sapal de Pera, Lagoa dos Salgados), reunindo um conjunto excecional de valores naturais, com particular destaque para a avifauna aquática”, destacam as associações ambientalistas que querem travar o projeto.

Insistindo que o modelo assente no betão “está ultrapassado e precisa de ser definitivamente travado”, a Almargem, A Rocha, LPN e SPEA sublinham na carta enviada a Cavaco Silva que “já existem muitos milhares de camas por ocupar em todo o Algarve”.

“O argumento da necessidade de mais camas na região, capciosamente associado à criação de mais postos de trabalho, é um argumento desmentido pela realidade existente até no próprio local: ao lado da Praia Grande, está já uma urbanização semi-deserta, fruto da insolvência de uma empresa do grupo Carlos Saraiva, e situação semelhante atravessa a Herdade da Lameira (Silves), para onde também foram prometidos muitos milhares de empregos”, denunciam os responsáveis.

Por todas estas razões, os ambientalistas apelam ao Presidente da República, que conhece bem o local, para que “faça valer junto de quem de direito a defesa do interesse público que constitui a preservação e a conservação dos valores naturais do Algarve”. “Neste caso, vossa excelência é a nossa última réstia de esperança”, concluem.

NC/JA

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