Amnistia Internacional denuncia clima de medo na Guiné-Bissau

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Amnistia Internacional (AI) denuncia “clima de medo” que vigora desde terça-feira na Guiné-Bissau, e diz que o antigo secretário de Estado das Pescas, Tomás Barbosa, está refugiado numa embaixada.

A Amnistia Internacional (AI) denunciou hoje o “clima de medo” que vigora desde terça-feira na Guiné-Bissau, após as agressões a dois opositores e operações de busca a suspeitos de envolvimento no ataque a um quartel miliar no domingo.

“É inaceitável que os civis estejam a ser aterrorizados pelo facto de viverem numa área onde o exército suspeita que se escondem os apoiantes do antigo governo”, referiu Noel Kututwa, diretor da AI para a África Austral.

Num comunicado da AI hoje divulgado, Kututwa considera “imperativo” que as autoridades defendam o Estado de Direito “e investiguem este ataque em vez de perseguir os políticos da oposição”.

Membros do Governo deposto procuram refúgio em embaixadas

A organização de defesa dos direitos humanos denuncia a “violenta agressão” em 23 de outubro “a dois proeminentes críticos do governo de transição por soldados, alguns dos quais vestidos à civil”.

Iancuba Indjai, líder do Partido da Solidariedade e Trabalho, encontra-se atualmente a “receber tratamento médico numa embaixada”, enquanto Silvestre Alves, advogado e presidente do Movimento Democrático Guineense, “encontra-se atualmente hospitalizado numa unidade de cuidados intensivos, tem ferimentos graves na cabeça e duas pernas partidas”.

A ONG refere ainda que as autoridades procuram agora o antigo secretário de Estado das Pescas, Tomás Barbosa, acusado de conspiração no ataque de domingo.

De acordo com informações recolhidas pela Amnistia Internacional, Tomás Barbosa encontrou refúgio numa embaixada, à semelhança de outros membros do Governo deposto em abril, também recolhidos em diversas representações diplomáticas.

“Estes atos selvagens servem apenas para deteriorar a situação de direitos humanos no país e aumentar o clima de medo”, refere Noel Kututwa.

Na madrugada de domingo, um grupo de homens armados tentou tomar pela força o quartel dos para-comandos, uma unidade de elite das forças armadas da Guiné-Bissau, tendo resultado seis mortos dos confrontos, todos do grupo assaltante.

O Governo de Bissau alega que o ataque ao quartel de uma unidade militar de elite nos subúrbios da capital, Bissau, foi uma tentativa de golpe de Estado por parte dos apoiantes do anterior primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior, também destituído após um golpe de Estado em abril.

Maria Luiza Rolim (Rede Expresso)
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