AO CORRER DA PENA: Ficará o 12 de Junho na História? E a morte das abelhas?

Agora que acabou (pelo menos para nós, portugueses) o Mundial de futebol, há que guardar a bola e recomeçar a pensar seriamente na nossa vida. Dando uma rápida vista de olhos ao que se passou nos últimos tempos por cá e pelo resto do Mundo, reparo que pouca coisa será digna de nota futura. Tal como há dois meses, ainda se está para saber que destino terá e que solução será dada à luta dos professores, a que entretanto se juntaram outras profissões também dependentes do Estado (várias forças policiais, oficiais de justiça, enfermeiros, etc.). Também ainda está para se saber se o dia 12 de Junho, dia em que Trump e Kim caíram nos braços um do outro e prometeram mundos e fundos ao Mundo, ficará na história ou se será apenas um “faits divers”, um “bluff” tão ao gosto dos “reality shows” de que Trump foi (e é?) especialista, e a coisa se fica por aqui! Agora que já retirou do evento algum brilho de que estava tão precisado internamente e arranjou um “novo” inimigo chamado Irão, bem mais próximo do “seu” Israel, poderá ser essa a sequência.
A verdade é que o Mundo anda mais devagar que aquilo que nos querem fazer crer e as coisas vão acontecendo no seu próprio ritmo. Já dizem os magistrados que o tempo da investigação e da justiça não é o tempo dos media e isso prova-se bem pela forma recorrente como alguns julgamentos mais mediáticos voltam a fazer parte dos noticiários, ao passo que outros, subitamente, desaparecem da nossa vista para nunca mais. Por outro lado, porque é essencial que nos atulhem de notícias (independentemente da sua relevância), basta reparar que uma boa parte dos noticiários é constituído, não pela narração de factos passados, mas pela enunciação de factos que terão lugar no futuro. Isto, descontando já a publicidade encapotada de alguns espectáculos de que se dá nota, nos noticiários, que vão acontecer! Estranho? Atente-se no futebol, por exemplo, onde com demasiada frequência nos informam sobre os jogos que irão acontecer, dos jogadores que irão jogar e de um sem número de detalhes que poderão vir a verificar-se. A isto se chamaria, no máximo “agenda” mas nunca notícia! Contudo, entra tudo no mesmo saco. Isto, claro está, para além dos infin-dáveis programas específicos dos temas mais candentes, como sejam futebol e reality shows (onde creio serem legítimas quaisquer considerações). Isto, claro está, para além de notícias de “vão de escada” como o filho que bateu na mãe, dos amigos que se agrediram ou qualquer outro tema, preferencialmente que meta sangue, onde se promove qualquer drama pessoal a caso nacional, mas que, naturalmente, se esgota em si próprio logo que é publicado. Entretanto, outras notícias, bem mais graves e preocu-pantes mas bastante menos sensacionalistas que estas, quando são publicadas, e poucas vezes o são (a não a “des-horas”, em programas específicos), vão caindo para o cesto do lixo desses media. A mero título de exemplo: você sabia que as abelhas estão a desaparecer a um ritmo assustador? Trata-se de uma notícia alarmante e gravíssima, pois as abelhas são um tipo de insectos de que dependemos tão dramaticamente que o seu desaparecimento ditará o nosso! Explico melhor: está a cargo das abelhas toda (ou quase toda) a polinização dos vegetais deste mundo! Com o desaparecimento das abelhas (que dia a dia se agrava), desaparecerá da superfície da Terra a capacidade de reprodução da esmagadora maioria dos vegetais que comemos (nós e todos os outros animais do planeta). Isto pode parecer “treta” mas é sabido que os Estados Unidos já dependem da importação maciça de abelhas da Austrália para a poli-nização das flores das amendoeiras (de que eles são o maior produtor mundial, com 80% da produção mundial). Como a amêndoa é produzida em regime de monocultura, todas as abelhas acabam por morrer após a polini-zação, por doença ou por falta de diversidade das flores de que se alimentam. Essa doença que as dizima (e que, ao que parece, afecta o Mundo quase todo menos a Austrália), é o principal responsável pelo seu desaparecimento, a par do aquecimento global. E por agora, estamos só a falar de abelhas! As implicações do desaparecimento de outras espécies ainda não tão estudadas é uma incógnita, mas uma coisa sabemos: com a extinção de algumas espécies animais, caminhamos inexoravelmente para um fim trágico da Humanidade. Se todos estivermos informados destes factos (importantíssimos, já se vê), talvez acordemos algumas outras mentes e talvez consigamos contrariar o rumo funestro que as abelhas outras espécies estão a levar, por exclusiva responsabilidade da espécie humana. Mas para isso, contudo, seriam necessário bons noticiários, boa informação e menos folclorismo noticioso, mas isso parece não vender! Enquanto assim for, estamos condenados a ver o futuro desmoronar-se à nossa frente. Tudo porque esta notícia, embora sem regresso e de consequências seriíssimas, é aquilo a que se poderá chamar, uma notícia silenciosa! Não vende nem é interessante! Dificilmente acordaremos a tempo mas, se assim for, pode ser que ainda possamos agir a tempo. Infelizmente, não creio nesta possibilidade, dado o actual estado das coisas! Dada a apatia geral da Humanidade, acho que estamos condenados a ver a frágil parte do planeta que nos permite a vida esboroar-se à nossa frente, e a assistirmos ao seu estertor final pela própria televisão. Oxalá que não!

Fernando Pinto
*cronicas.fp@gmail.com

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