ECONOMIA

Apolinário anuncia na Ria Formosa que há 4 milhões a fundo perdido para as pescas

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O secretário de Estado das Pescas, José Apolinário, anunciou hoje aos viveiristas da Ria Formosa, em Olhão, que estão disponíveis quatro milhões de euros a fundo perdido para compensar quebras derivadas da pandemia de covid-19.

José Apolinário explicou à Lusa que a medida, “acordada com a Associação portuguesa de Aquicultores, vai atribuir quatro milhões de euros de compensação aos aquicultores [nacionais], a fundo perdido”, para “compensar a perda de rendimentos provocada pela covid”, através do fundo europeu destinado ao setor.

O governante, que falava no final de uma ação de apresentação no porto da cidade algarvia, disse haver uma “estimativa que, dos quatro milhões de euros, as empresas de aquicultura da Ria Formosa possam receber entre 400 e 500 mil euros”.

O presidente da cooperativa Formosa – que representa 160 aquicultores dessa área protegida -, disse à Lusa que ainda não sabe se esta compensação vai realmente ajudar o setor ou não – já com quebras na ordem dos 50% -, porque julho será o mês para apresentar as candidaturas e agosto para apreciar os processos.

José Florêncio considerou que o apoio de quatro milhões de euros a fundo perdido para os aquicultores portugueses “vai resolver alguns problemas de alguns associados, mas não todos”, porque o negócio, “a nível da comercialização, está muito baixo” e contabiliza quebras “entre 40 e 50%”.

“Há quem tenha outras profissões, mas quem faz disto a atividade constante está com esse problema neste momento”, afirmou, lembrando também que, “como a ameijoa não foi apanhada, está a chegar ao seu limite e a morrer nos viveiros” e este é “outro dos grandes problemas” que os aquicultores estão a ter.

Os apoios existentes permitem “ir mantendo” a exploração, “mas depois não há venda”, lamentou, referindo que “o verão é quando a ameijoa cresce mais, há mais quantidade” e quando o “consumo também é maior”.

“Vivemos também do turismo e as duas coisas agora não estão a conjugar-se”, afirmou José Florêncio, que está pouco otimista quando a uma retoma nos meses altos de verão, porque “não vai haver Festival do Marisco” e outros festivais deste tipo “onde se consumia muito marisco”.

José Apolinário adiantou que chegou a ser ponderada, no âmbito das medidas de apoio aos aquicultores, a possibilidade de se avançar “também para linhas de crédito”, mas sublinhou que, “dada a situação financeira, as empresas preferem esta solução a fundo perdido”.

“É um contributo que consideramos como razoável e possível no contexto em que vivemos”, considerou o secretário de Estado das Pescas, frisando que estes apoios “serão também acompanhados de campanhas de promoção de consumo de ameijoa boa, produto tradicional da Ria Formosa”.

Estas campanhas passam, segundo José Apolinário, por “dinamizar com os produtores ações de promoção do consumo dos produtos locais e dos produtos endógenos, no caso em particular da ameijoa boa da Ria Formosa”.

A mesma fonte disse ainda que vai também ser dado enfoque à “valorização da ostra, que sendo um produto que não é tradicional desta zona, muitos viveiristas se dedicaram a ele” e o Governo quer “também contribuir para a sua valorização”.

“Isso só se faz com ações direcionadas para a restauração e a distribuição alimentar e, em conjunto com autarquias locais e produtores, vamos alavancar algumas iniciativas ao longo deste verão para promoção” desses produtos, afirmou, reconhecendo que os preços praticados “baixaram significativamente atendendo à menor procura” causada pela pandemia.

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