Ariel Sharon em coma há sete anos

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O ex-primeiro-ministro israelita continua em estado vegetativo. Cada vez mais esquecido, também o seu legado político corre o risco de desaparecer nas legislativas de 22 de janeiro.

Ariel Sharon, de 84 anos, está em coma há precisamente sete anos. O antigo primeiro-ministro israelita (2001-2006) sofreu um derrame cerebral a 4 de janeiro de 2006 na sequência da ingestão de medicamentos para responder a uma trombose. Continua, desde então, em estado vegetativo e aos cuidados da família.

A 12 de novembro de 2010, Sharon tinha sido transferido do Centro Médico Sheba, em Telavive, para o seu Rancho Sycamore, no Negev (sul de Israel), onde foi instalado equipamento médico que o mantém vivo. O sistema custa anualmente 300 mil euros, pagos pelo Estado e pela família.

Numa das últimas informações à imprensa sobre o estado de saúde de Ariel Sharon, o porta-voz do Centro Médico Sheba afirmava ao diário francês “Le Monde”, em setembro de 2009: “A única informação que posso dar é que o seu estado permanece estável e inalterado. Para mais informações, por favor contactem a família.”

Kadima em queda acentuada

Numa entrevista em outubro de 2011, Gilad, o filho mais novo de Sharon, afirmava que o pai tinha sensibilidade, apesar de ser incapaz de fazer movimentos significativos. “Quando ele está acordado, olha-me e mexe os dedos sempre que eu peço para o fazer.”

A cada ano, o estado de saúde de Ariel Sharon é menos noticiado. E o seu legado político corre mesmo o risco de desaparecer. Um ano antes de sofrer o derrame cerebral, Sharon fundara o partido Kadima (centro-direita) para levar avante a retirada unilateral de colonos e soldados da Faixa de Gaza, estratégia que era contestada pelo rival Likud (direita).

Todas as sondagens para as eleições legislativas do próximo dia 22 de janeiro dão como vencedora a coligação de direita entre o Likud (do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu) e o partido Israel Beitenu (do ex-ministro dos Negócios Estrangeiros Avigdor Lieberman). Quanto ao Kadima, agora liderado por Shaul Mofaz, corre o risco de perder 26 dos atuais 28 deputados.

Margarida Mota (Rede Expresso)
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