FUTEBOL
OPINIÃO

Avarias: Mitos

OPINIÃO | FERNANDO PROENÇA

É um fenómeno relativamente recente, mas que veio para ficar, todos os jogadores, treinadores e restante tropa fandanga ligada ao futebol não fala sem tapar a boca.

Hoje, ninguém diz, “o pequeno – almoço não me caiu bem, regaram a relva?” sem se esconder por detrás da mão. Aparentemente existe um exército de tradutores sempre prontos a perceber quais as intenções de quem anda dentro de um campo de futebol. Pois foi o que aconteceu com o relativamente recente episódio de Pinto da Costa mais o empresário Pedro Pinho, doravante designado escuteiro Pedro Pinho, depois do jogo Tondela – Fêcêpê.

Pedi a um tradutor de lábios que me esclarecesse o exacto momento em que Pinto da Costa se aproxima do operador de câmara da TVI e lhe diz qualquer coisa entre dentes. Não inventem intenções onde elas não moram, o teor das palavras era exactamente: “Meu amigo, quer dar um salto ao balneário? Temos ali bifanas e um belo de um tinto a acompanhar. Largue lá essa câmara, já trabalhou o suficiente, vamos ao que interessa…”.

Pode ter-se dado o caso de os profissionais da televisão não quererem aquela comida por não estar prevista – ou desconhecerem a sua existência – uma salada a acompanhar? Não sabemos, não vimos (e aqui fica o compromisso do Avarias com a verdade), o tradutor traduziu e, no fim, ficou o gesto de simpatia da parte de Jorge Nuno, que como sabemos tem uma alma bondosa e altruísta – como acontecerá com o escuteiro Pedro Pinho.

Lembro-vos que anteriormente neste espaço – e agora sim, compreendi tudo – salientei que, de um modo geral, os comentadores e narradores dos jogos do Fêcêpê, principalmente os jogados na inbicta, parecem ser mais adeptos incondicionais da agremiação desportiva em causa, do que propriamente jornalistas imparciais (ou ligeiramente condicionados). São gritos estridentes sempre que o Fêcêpê marca um golo, ou um clamoroso erro do árbitro quando o Taremi, cai, na grande área, vítima de uma vingativa rajada de vento. Como disse atrás, afinal esta semana percebi tudo: como no episódio no jogo do Tondela, também nas restantes ocasiões, está demostrada a razão pela qual existe um amor tão grande dos jornalistas pelo clube azul e branco. São amiúde convidados para as festanças organizadas pela SAD (com o apoio de empresários e escuteiros amigos) do Porto e bem educadamente retribuem a simpatia.

O mito de que o que os jornalistas têm miúfa, medo, temor, receio, de escuteiros portistas, são completamente infundadas.
Não fui o primeiro a notar, mas a forma como os grandes temas da actualidade vão e vêm, deixa-me indeciso da sua importância e validade.

Reparem que após semanas de problemas das vacinas com os trombos (diz-se assim?), que enchiam páginas de jornais e noticiários, eis que, de repente e como por milagre não se fala mais nisso. Deixaram de existir situações anómalas, silenciaram os vacinados, já não existem efeitos secundários? Não tenho do jornalismo uma concepção conspirativa, mas a verdade é que a realidade não me facilita a vida.

Fernando Proença

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