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Avaliação de impacte ambiental poderá atrasar eletrificação da Linha do Algarve

A linha só está eletrificada até Faro. Faltam os troços Tunes/Lagos e Faro/Vila Real de Santo António

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Infraestruturas de Portugal espera ter os trabalhos concluídos no final de 2020, mas poderá haver um atraso de seis meses caso seja necessário realizar uma avaliação de impacte ambiental. Obras vão custar quase 58 milhões de euros e incluem a eletrificação dos troços Tunes/Lagos e Faro/Vila Real de Santo António

DOMINGOS VIEGAS

A calendarização da eletrificação da Linha do Algarve já está definida pela Infraestruturas de Portugal (IP) e, de acordo com o projeto, deverá estar concluída no final de 2020. Porém, os trabalhos poderão atrasar-se “em cerca de seis meses”, alertou o vice-presidente da IP, caso a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) considere necessário a realização de uma avaliação de impacte ambiental.

A APA só se pronunciará quanto à realização, ou não, daquela avaliação quando os projetos, que estão na fase final de elaboração, estiverem concluídos. A IP espera entrega-los até ao final do próximo mês de agosto.

O plano de eletrificação dos troços Tunes/Lagos e Faro/Vila Real de Santo António (o troço Tunes/Faro já está eletrificado) foi apresentado na última sexta-feira pelo vice-presidente da IP, Carlos Fernandes, numa cerimónia que decorreu na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve.

Segundo aquele responsável, a IP espera lançar as empreitadas “durante o próximo ano” para que as obras estejam terminadas “no final de 2020”. As novas linhas, já eletrificadas, deverão entrar em funcionamento no início de 2021, depois do período destinado a testes e certificações. Assim, no pior dos casos, ou seja, mesmo com o possível atraso estimado por Carlos Fernandes, a linha do Algarve poderá estar completamente eletrificada ainda durante o referido ano de 2021.

Estas obras representam um investimento de 57,9 milhões de euros, dos quais 34,7 milhões correspondem ao troço entre Faro e Vila Real de Santo António (56 km) e 23,2 milhões ao troço entre Tunes e Lagos (45 km). Os fundos comunitários representam 85% deste investimento. Os trabalhos estão integrados no programa Ferrovia 2020, que prevê um investimento total de 2 mil milhões de euros nas linhas ferroviárias de todo o país.

Além da eletrificação daqueles dois troços, será construída uma subestação elétrica de tração a nascente da cidade de Olhão, que custará 10 milhões de euros e servirá para alimentar o troço Faro/Vila Real de Santo António. A atual subestação de Tunes será ampliada para passar a servir também o troço Tunes/Lagos.

Entre as intervenções previstas está ainda a instalação de vedações e redes de proteção em áreas específicas a eletrificar para garantir condições de segurança, a realização de trabalhos de adaptação da sinalização e telecomunicações (telecomando de catenária, instalação de informação ao público e videovigilância), bem como outros trabalhos relacionados com a melhoria das plataformas de passageiros e a reabilitação de pontes e viadutos.

“Será uma intervenção fundamental para a mobilidade da principal região turística de Portugal e sua ligação com o restante território nacional e europeu, contribuindo para a dinamização da economia regional e nacional”, considera a IP.

Para a Infraestruturas de Portugal, a eletrificação da Linha do Algarve irá trazer um conjunto de benefícios “muito significativos”, entre os quais “mais qualidade, mais rapidez e menos tempo de trajeto”, mas também “redução de custos ferroviários e de acidentes” e “redução de emissões de CO2 (dióxido de carbono)”. Está ainda prevista a criação de 140 empregos durante a fase de construção.

O Estudo de Procura encomendado pela IP considerou a possibilidade de “implementação de novos serviços nas zonas mais povoadas, de que é exemplo o eixo Faro-Olhão-Tavira” e de realização de “32 comboios/dia adicionais num novo serviço suburbano/urbano Faro-Olhão”. O mesmo estudo estima que, com a linha eletrificada, a utilização de comboios regionais por parte da população aumente 15%.

“Os indicadores económicos apontam para a viabilidade do projeto do ponto de vista dos impactes na sociedade, demonstrando que os benefícios económicos são superiores aos custos económicos”, assegura o mesmo estudo.

Porém, a IP é apenas responsável pela construção das infraestruturas. O aumento de material circulante e de ligações é da responsabilidade da CP (Comboios de Portugal). Abrantes Machado, administrador da CP, admitiu que “poderá haver mais material circulante para permitir um maior número de ligações”, mas, para já, não avançou com mais detalhes. “Ainda não é possível precisar alterações de oferta, porque não há conhecimento de qual será o material que será possível alocar no pós-eletrificação”, referiu.

A apresentação do projeto de eletrificação da Linha do Algarve coincidiu com a inauguração da exposição “160 anos do Caminho de Ferro em Portugal”, que pode ser visitada na CCDR Algarve, em Faro, de segunda a sexta-feira entre as 10h00 e as 18h00, até ao dia 30 de maio. Trata-se de uma iniciativa conjunta da Infraestruturas de Portugal e da CP – Comboios de Portugal, que está a percorrer o país desde 2016.

O serviço ferroviário começou no nosso país em 1856 e 33 anos depois, em 1889, começava a exploração comercial ferroviária até Faro (na altura designada por Linha do Sul). Em 1906 ficou concluída a expansão da ferrovia até Vila Real de Santo António e em 1922 foi concluída a construção do denominado Ramal de Lagos (entre Tunes e Lagos). Os troços Faro/Vila Real de Santo António (Linha do Sul) e Tunes/Lagos (Ramal de Lagos) foram reclassificados em 1992 como Linha do Algarve.

(Reportagem publicada na edição impressa e semanal do Jornal do Algarve de 12/04/2018)

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