AVARIAS: Breakdowns Project

Fernando Proença

Umbrella Sky Project, Águeda, Portugal © Viaje, Águeda, Portugal © Viaje Comigo Arte Urbana em Águeda, Portugal © Viaje Comigo “O mote é colorir a vida, levar cor aos espaços cinzentos da cidade e rasgar sorrisos em quem por ali passa!”, dizem os dinamizadores da ideia. “A inspiração para este projeto foi a cultura portuguesa. Utilizamos, portanto, elementos tradicionais como os azulejos portugueses, que usamos nas escadas coloridas, as “rendas” nos guarda-chuvas da Rua Miguel Maria Veloso…
in, “Tudo serve de pretexto para viajar. Jornalismo de viagens por Susana Ribeiro”

Socorri-me da gloriosa internet, para vos lembrar de uma notícia que tinha visto em primeira mão num noticiário da nossa TV. Hoje, existe sempre a possibilidade de procurarmos tudo, um ano depois de ter passado numa qualquer televisão perto de si. Em contrapartida procurei durante horas (sem ter encontrado), um ficheiro, que deverá estar dentro de uma pen, só porque não sei nome que lhe dei. Se tivesse esses ficheiros passados para papel e dentro de humildes dossiers já há muito que tinha dado com o seu paradeiro. Assim vai o – meu – glorioso mundo da informática. Voltemos então à vaca fria: pensando como segue o nosso mundo, diria que, os donos de restaurantes da (gosto muito desta forma de chamar a cidade, que ganha adeptos quando chegamos ao Verão) Quarteira e de Albufeira, de há trinta anos, estavam – muito provavelmente sem o saber – muito à frente do seu tempo. Lembram-se como nos anos oitenta / noventa foram criticados por mostrarem as ementas em inglês? (talvez também em alemão, holandês e francês? Não me lembro e não vou ver à internet). Alguns tugas de Massamá, passavam pelas ruas algarvias (ainda era muito incipiente o nosso turismo interno. As autoestradas viriam depois e o crédito para férias, também) e, se desconhecessem o valor da palavra “codfish”, só tinham direito a comer bacalhau com grão quando voltassem ao seu cantinho dourado. Talvez que, se tivessem inventado para si próprios uma função específica como representantes de uma tendência gastronómica bilingue ou trilingue, hoje seriam percursores.

Agora sim, estamos no admirável mundo das curadorias e quando não há uma treta pintada que não seja de autor, temos um projecto em que plantam guarda-chuvas às cores sobre uma rua (uma boa iniciativa, em espaços demasiadamente quentes e solarengos) e restante obra urbana de cunho tradicional português, como se percebe pela leitura dos textos supracitados. O problema é que esse singelo projecto português; português dos pés à cabeça, chama-se curiosamente “Umbrellas Sky Project”, que é uma das designações mais portuguesas que já me foi dada a ouvir, até hoje. Já sei o que me vão dizer, que falamos de turismo e que o inglês abre muitas portas pelo mundo fora. Abrirá umas e fechará outras, ficando nós com o ónus de sermos sempre servis com o que nos chega do estrangeiro, supostamente ilustrado.

Fernando Proença

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