AVARIAS: Direito por linhas tortas

Fernando Proença

Ouvi outro dia (talvez “Fricção Científica” na Antena 3), no pequeno, mas muitas vezes interessante apontamento sobre o que se vai falando por aí, nas questões de ciência e similares, que os ingleses (quase sempre os ingleses…), que muitas crianças do reino acordavam deprimidas. Tudo, parece, consequência da quantidade de informação que circula sobre o estado do planeta e perspectivas futuras, que se esperam mais cedo ou, espero, mais tarde. Problemas como, aquecimento global, subida gradual dos oceanos, doenças das zonas tropicais em regiões temperadas e a possível próxima (depois dos dois mandatos de praxe de Marcelo) candidatura de Paulo Portas à presidência da República. Da forma como as coisas estão e se avizinham, admirado estou, se apenas as crianças britânicas apresentarem quadros (como se diz agora) depressivos (logo pela matina). Eu próprio, cínico elevado à quinta casa, não sei com o me levanto todos os dias, com os problemas de consciência que me derrotam. Se me levanto e tomo banho penso na falta de água, se bebo leite, são as vacas, o mesmo para o queijo. Se ligo a luz o problema é o gasóleo que abastece as centrais. Se não forem a gasóleo são a carvão o que piora, em muito, o meu amanhecer. Se forem provenientes de produção de energia limpa, penso na indústria que fez aqueles reactores, as hélices, os painéis solares, com toda a certeza muito poluidora. Se como cereais chego à conclusão que durante a ceifa (existem estudos sobre isso…) se mataram muitos animais. Como já devem ter percebido, chego derrotado às onze horas e não precisa um grande esforço. Só porque não consigo medir, em tempo real, a minha pegada ecológica, ou lá como se diz, que deve ser quarenta e três, de dióxido de carbono.

Eu sei que é necessário despertar as consciências pelo mundo fora, que a Greta é muito empenhada, mas às vezes não há mesmo pachorra nem para o mundo nem para a Greta; mesmo que ela tenha (e tem) toda a razão no que diz. Ou talvez por isso. Agora só não consigo perceber aquela da greve às aulas por parte dos petizes. Que mal fez a escola ao ambiente? Será por causa do gasto do papel em livros e cadernos? A escola que já colocou nos programas de todas as disciplinas, os problemas com o ambiente? Se querem armar um protesto a sério, agora que sabem que as vacas são das grandes produtoras de gases de efeito estufa, porque não fazem uma greve aos estabelecimentos de uma conhecida fabricante e vendedora norte-americana de hambúrgueres de carne de vaca, prometendo, a partir de aí só comerem vegetais e peixe (de espécies ainda não em perigo de extinção, que como se sabe são todas) cozido? Organizavam manifestações em todos os hipermercados e centros comerciais, cartazes com palavras de morte aos que poluem o ambiente e assim sucessivamente. Assim já escapava. Estou a ver na minha cabeça a publicidade aos hambúrgueres em que se lia, como elemento distintivo, o princípio “100% carne de vaca”. Ainda bem que a malta que lá come (e se lambe no fim, já com a barriga cheia) não liga a essas minudências.

Fernando Proença

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