AVARIAS: Dois Pontos

1. Vejo num noticiário de Domingo a horas de almoço, mais coisa menos coisa, que existem tugas que usam clínicas no estrangeiro, que funcionam com barrigas de aluguer que eles alugam. Parece que se trata de um exercício caro e, segundo parece, com alguns contornos no mínimo duvidosos. Um médico (director de um instituto ligado à actividade) entrevistado pela RTP e fazendo o papel institucional que convida à prudência, afirmou que se trata de uma prática com “grande vertente comercial”, devendo por isso ser questionada nos seus propósitos. Não sei grande coisa sobre o assunto, nem consigo perceber onde estará a razão, se é que ela existe neste caso, mas ouvir um médico alertar para os perigos da “vertente comercial”, qualquer que ela seja, já é, por si só um avanço em relação ao habitual. Não digo que seja mentira mas parece!
2. Lembro-me sempre de um pequeno problema que me acontece recorrentemente. Se marco uma consulta médica com um prazo de, vá lá, três meses (e não estou a falar de hospitais públicos ou semi-públicos), respeitando horários de trabalho, certo é que alguém me vai, posteriormente, marcar uma reunião a que não posso faltar, a menos que prove estar retido numa cama de hospital, para o mesmo dia e hora. Trata-se de um daqueles princípios arrumados nas escolhas que fazemos em torno, por exemplo, de qual caixa de supermercado vamos escolher para pagar, sabendo por princípio, que a bicha que parecia infindável ao nosso lado, nos acaba por ultrapassar, porque a senhora à nossa frente não consegue passar o cartão multibanco. Já reparei que para os canais e principalmente jornais desportivos os temas costumam aparecer aos pares, quando, se o Mundo fosse um lugar mais justo, deviam vir uns na continuação dos outros. Tentarei objectivar: Bruno de Carvalho vale, de per si cem mil exemplares e dois meses de debates televisivos, à média de três horas por debate. As rescisões unilaterais dos jogadores do Sporting significarão cinquenta mil e a nossa selecção outros cinquenta mil, porque há muita mulher a interessar-se pelo futebol das quinas, mas poucas compram o “Record”, “O Jogo” ou “A Bola”. Isto, se observarmos a coisa ao longo do tempo. A questão do momento é que surpreendentemente ou não (eu defendo que não), de há um mês a esta parte, toadas as notícias que dão share têm vindo a aparecer em catadupa, valendo tudo junto os tais cem mil exemplares. Ou seja, quando esta vaga diminuir/desaparecer, vão poder contar apenas com as transferências, as hipóteses de transferências ou as putativas transferências de jogadores e aí não será o caos (porque o caos seria, se alguma vez o futebol acabasse no Mundo e mesmo assim venderiam jornais mais dez anos a discutir esse fim) mas as vendas irão ressentir-se. A menos que depois do Mundial a crise do Sporting continue ou que Bruno de Carvalho dê um enxerto de porrada em Marta Soares.

Fernando Proença

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