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OPINIÃO

Avarias: É a vida

OPINIÃO | FERNANDO PROENÇA

O Avarias, para que conste, vai confidenciar-vos o seguinte: contrariamente ao que se vai lendo nas estrelas e no rodapé dos noticiários o Avarias não é, em termos de alterações climáticas e Covid -19, um negacionista. O Avarias respeita a Ciência e acredita nas vacinas e no poder da Lua, mas só no que respeita ao movimento das marés.

É verdade que me costumo indignar com o aproveitamento das alterações climáticas pelos jornalistas – e muito provavelmente por um ou outro cientista menos escrupuloso – mas geralmente sou um gajo bem-comportado. A saber, uma coisa é o “Clima” e outra o “Estado de Tempo”. O Clima comporta médias de temperatura e precipitação (e outros elementos), durante dez ou trinta anos, grosso modo. O Estado de Tempo admite muito mais variações (são espaços de tempo muito mais curtos) e sofre com a falta de memória das pessoas: ou seja, todos idealizamos um clima para uma região e tendemos a esquecermo-nos das variações, apontando qualquer anomalia – hoje – às chamadas alterações climáticas.

Chove três dias no Alentejo e são as alterações climáticas, mas se não chover um mês, também as são. Os nossos canais de informação, sedentos de notícias, dão como alteração climática, qualquer subida ou descida da temperatura, tornando-nos a vida um inferno, sempre à espera do apocalipse já para depois de amanhã (amanhã não dá jeito).

Não nego que o clima aqueça (ou simplesmente mude), mas nego que todas as variações (estado de Tempo) a uma suposta norma (o Clima), sejam, consequência disso.

Lembro-me aqui há três ou quatro anos quando a água do mar, no Algarve esteve Julho e Agosto, acima dos vinte e um graus: era do aquecimento global (mentira, era do Levante), íamos ter tubarões a dar com um pau e uma subida do mar em que nos afogávamos todos durante o sono.

Este ano (por causa da prevalência do vento de noroeste) em que a água do mar esteve, todo o Agosto, na volta do dezanove, vinte graus, já não sofremos as alterações climáticas. Este ambiente de puro terror em que nos querem cozer os miolos, tiveram o seu cume, outro dia, em que em rodapé num noticiário da manhã (SIC? TVI? RTP?) se lia “Agosto de 2021, quente e seco”. Onde é que esta gente tem a cabeça? Alguma vez em Portugal continental o Agosto foi outro mês, que não “quente e seco”?

Aliás, em mais de metade dos conjuntos climáticos do Continente, Agosto é quente e árido (que é uma variação mais seca de um mês seco). Que raio de notícia é aquela? O que querem que se faça? Que fiquemos todos em casa para sermos muito sustentáveis à espera que o mundo esvazie e desapareça? Estavam habituados a Agostos frescos e chuvosos? Já alguém lhes disse que não estamos na Noruega?

Fernando Proença

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