AVARIAS: Mais futebol

Fernando Proença

Fernando Proença

Claro que o tema do momento – em que escrevo – é a antevisão do Portugal – Holanda para a Liga das Nações, com as habituais entrevistas aos holandeses que nos visitam e ao comissário da polícia (neste caso do Porto), que tem, nestas ocasiões, oportunidade de se firmar como um notório pilar da segurança da nossa sociedade. Vamos ver o que isto dá, mas não tenho boas vibrações, isto usando a linguagem dos xamãs ou coisa associada. Entretanto os paineleiros desunham-se por descortinar a constituição da equipa dos tugas, completamente arrasados pelo 4-3-3, 4-4-2 ou losango. Se são os próprios treinadores a irem neste engodo da conversa das tácticas, então isso dirá um pouco mais do que é o mundo do futebol. Depois do ponto final anterior (voltei a escrever duas horas depois), posso dizer-lhes que já sei que o nosso Portugal limpou a tal Liga das Nações. Fiz greve à escrita enquanto vi o futebol. Foi bom, bem melhor do eu esperava. Portugal joga sempre melhor contra quem ataca mais, embora isso não lhe garanta a vitória. De tudo o que vi, extraí a boa exibição dos nossos e a entrada da bola em campo, dentro de uma miniatura telecomandada, de um automóvel de uma conhecida marca alemã. Por aqui se vê que nem o futebol escapa à infantilização geral da sociedade. Qualquer dia a bola há-de chegar de submarino (já vi descer nas mãos de um paraquedista) ou nas mãos de um boneco insuflado, que é o logotipo de uma conhecida marca de pneus francesa; se pagarem bem! Quem não quer saber de coisas de somenos é Jorge Jesus (JJ), aliás como eu, e mais cinco milhões de portugueses já tínhamos vaticinado. JJ vai ao Brasil e as televisões vão atrás, exactamente porque não há muito mais gente que faça o que ele faz e não repita até à exaustão as fórmulas já mil vezes usadas: ele, de uma forma por vezes muito atabalhoada lá vai falando, realmente sobre o jogo. Agora também há muita maluquice que importa referir: outro dia, um comentador da Sport TV habitualmente comedido (escondendo-se sempre atrás das tácticas, mas isso é transversal), inquirido sobre a ida de JJ e de não ser bem recebido no Brasil, declarou no seu estilo eu-é-que-sei, mais ou menos o seguinte (e estou a ser meigo): “mas o que querem os treinadores no Brasil?, vai Jesus, que vai ensinar o que por lá poucos sabem. Digo mais, o Jesus sabe mais de futebol do que os treinadores brasileiros juntos” (esta parte retive na íntegra). Nessa altura joguei a mão ao pulso. Estou vivo ou morto? Eu sei que será uma figura da mais pura retórica, esta de dizer que JJ é o super-homem disfarçado com madeixas. Mas as declarações serão só retórica ou também uma reação às intempestivas declarações que nos chegam do lado de lá do Atlântico? Não sei mas parece-me desajustado. Fala-se no Brasil, não na Tailândia. Podemos, ou não, ser empinados quando estamos para aí virados?

Fernando Proença

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