AVARIAS: Marcelo sabe mais a dormir…

Fernando Proença

1- Marcelo Rebelo de Sousa escolheu João Miguel Tavares (JMT) para presidir as comemorações do 10 de Junho. Há de tudo nas opiniões sobre a figura em causa, desde os que pensam estar-se perante um impostor, aos que acham o rapaz uma lufada de ar fresco, não tanto como o vento que sopra lá fora, mas mesmo assim ar fresco. Atendendo ao nível de alguns dos medalhados anteriores, conhecidos por não se terem portado muito bem, pelo menos na relação que mantêm com o dinheiro dos outros, não vejo que JMT seja pior que algum entorno. Mas a minha pergunta é: com tantos pingentes de sala para aí existentes, por que razão o professor Marcelo se lembrou daquele lustro de cristal? Marcelo Rebelo de Sousa está para a política como Pinto da Costa para o futebol; anda sempre dois passos à frente dos outros e joga em todos os tabuleiros. Para quem considerou que esta seria uma opção arriscada do professor, eu defendo que tudo foi muito bem pensado, para não arriscar um milímetro. Vejamos, JMT que anda sempre à procura de alguma folga que lhe permita dizer que tudo isto é uma choldra (tirando Passos Coelho e Vítor Gaspar e mais um ou outro), não deve resistir à síndrome do prémio Nobel/António Lobo Antunes, ou seja, tudo aquilo é muito mau, feito por cretinos e para escritores (ou políticos, no caso vertente) que mais parecem saloios, mas só até que a lotaria saia à casa. Políticos inteligentes adoram jogar a unha a esta malta; ficam com a fama que apoiam uma certa dissidência, coisas da juventude e ao mesmo tempo sabem que uma dívida de gratidão cobrar-se-á ao longo de toda uma vida. JMT, tem imprensa e parece-me, como antes se dizia em relação ao futebol, da mesma igualha de Lobo Antunes: cheio de força para criticar os políticos e a forma como se faz política em Portugal, mas só até lhe arranjarem um tacho uma sinecura, que a vida custa a todos e o país é pequeno; digo eu, que ainda não encomendei uma bola de cristal à Amazon. Tenho que Alberto Gonçalves, o Tarzan da Direita – defendendo eu, que para tachos, Direita e Esquerda estão na mesma luta – faria o mesmo serviço, mas pode ser mais imprevisível que JMT e convém não confiar muito na sorte, nestas coisas institucionais. Podia dar-lhe, (a Alberto Gonçalves) para declarações bombásticas, que Marcelo não podia prever e ficava mal.
2 – Já não é a primeira vez que vejo uma coisa destas no universo da TVI, CMTV, por isso trago-o aqui: o rodapé da notícia mostrava, “oito pessoas feridas e levadas ao hospital”. Dava-se o caso das pessoas feridas serem, na realidade, “pessoa intoxicadas”, como o próprio jornalista se apressou a notar. Se calhar é mais fácil o povo perceber que as oito pessoas não foram ao hospital ver familiares que se encontram internados. Mas alguém lhes explique que um intoxicado não é um ferido e será, quando muito, um sinistrado. Parece-me, no entanto, que para aquela gente, bacalhau basta. Ou não sabem mesmo mais, apesar de pertencerem à geração melhor preparada de sempre.

Fernando Proença

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