OPINIÃO

AVARIAS: Não podem dizer que não tenho tema

OPINIÃO | FERNANDO PROENÇA

Ainda não houve um fogo florestal a sério (bater três vezes na madeira), já se sabe quem é o campeão do futebol e os vinte e três de Fernando Santos não são conhecidos – à data: resta a Eurovisão, para quem frequenta o universo RTP e não tem problemas em lidar com o mau gosto e a piroseira. Alguns veem séries como se não houvesse amanhã; Sócrates e Pinho são o assunto preferido para os outros que tentam andar a par com o que se vai fazendo em matéria de escândalos. Não fujo à regra, por isso fiz uma corrida (de olhos) para os jornais que tenho por baixo dos olhos. Num deles fiquei a saber que, afinal de contas, os deputados veem com bons olhos alterar os subsídios das viagens que usufruem. Os deputados são como o CEO das grandes empresas, só que recebendo menos (embora demasiado para o que fazem, opinião da maioria dos portugueses): são eles que calculam os seus salários e mesmo com a existência dos contrapesos, a parte do haver tem sempre tendência a aumentar, por isso não vamos esperar que tenham moderação. Certo é, que depois dos episódios muito mal contados das residências nas pontas de Portugal e Ilhas adjacentes (já não me lembrava desta designação: aqui fica para a posteridade) para receber subsídios em triplicado, veio à tona a ideia que, pelo menos os das ilhas não estavam a incorrer em nenhuma aldrabice, mesmo pequena ou média. Ora, agora que já passou um bocadinho, muito bom para nos esquecermos, vieram os mesmos deputados propor (ou alguém por eles…) que afinal não seria má ideia, rever em baixa, as regras para os tais subsídios. Para quem dizia a pés juntos que as regras eram de absoluta transparência (como a dizer, em equipa que ganha não se mexe…) o acto de contrição só mostra à sociedade (como diria Jaime Pacheco?) saciedade que os cálculos para as ajudas de custo tinham sido feitos – no mínimo – a partir de uma calculadora avariada, com a tecla da multiplicação no lugar da adição.
Vejo o maluco da Coreia do Norte, que como eu previ (vejam os meus galões) só queria negociar a partir de um lugar um bocadinho menos fundo na escala dos países, e um apontamento de reportagem com a extraordinária apresentadora da TV coreana, que parece ter saído da cama naquele preciso momento, já lavada e penteada. Parece que as Nações Unidas têm vindo a prestar uma preciosa ajuda ao povo coreano, que nasceu no lado errado do paralelo 38. Vejo umas imagens dos inspectores, funcionários de António Guterres, com aqueles coletes cheios de bolsos que habitualmente vemos ligados a caçadores, exploradores e malta que anda nos safaris, a ajudar umas criancinhas a comer arroz de uma malga. A minha humilde pergunta é a seguinte: por que razão, quando aparecem uns inspectores da ONU num país do 3.º mundo, misturados no meio dos indígenas (a maioria de fato e gravata), se sabe logo de onde nos chegam? Resposta: pelos tais coletes que sempre trazem vestidos. Para que servem todos aqueles bolsos? Para guardar as sandes para o almoço? O telemóvel? O dinheiro que lhe pagaram pela deslocação? Vou obviar: até quinta.

Fernando Proença

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