AVARIAS: O Avarias nos serviços mínimos

Fernando Proença

Com os fogos ficámos e ficamos senhores de um vocabulário que, vou dizer-lhes que não são pessoas para andarem aí a dar ao badalo, não terá igual nos tempos que correm e vocês sabem do que eu estou a falar! De tudo o que se ouve aqui e ali o que mais me fascina é a “intervenção musculada”, expressão, penso, que retirada de uma qualquer cartilha militar. Lembro-me destas sonoras e sábias palavras no princípio do incêndio de Monchique, no ano passado. Ao princípio acalmei-me perante tal demostração de competência e superioridade sobre o fogo, mas passados uns dias apercebi-me que apesar da conversa o incêndio estava a fazer, infelizmente, o seu caminho. Outra expressão mediática no meio é o fatal, “teatro de operações”. O “teatro de operações” está para as autoridades civis e militares que respondem a perguntas na televisão como o “não vamos atirar a toalha ao chão”, para os jogadores das equipas de futebol que ainda não se fartaram de perder. Quando um bombeiro, que interiorizou o “bombinês” (língua de bombeiro) até ao tutano, pretende dizer que os bombeiros chegaram à área do fogo, ou zona do incêndio, declara então que a chegada ao “teatro de operações” deu-se cerca dos dezoito e trinta e quatro. Este é outra mania decorrente das autoridades que, aparentemente gastam os seus tempos livres a ouvirem declarações de outras autoridades. Se o carro da GNR ou o autotanque chegou às dezoito e trinta e quatro, é porque chegou às dezoito e trinta e quatro nem mais um segundo. Só chegaria a palavra “cerca” se tivesse dito “cerca das dezoito e trinta”, penso eu de que. Com os “serviços mínimos” entrámos numa dimensão superior nas nossas relações de necessidades: marimbámo-nos anos e anos para os tais serviços pequeninos, que só eram conhecidos nos que usam os transportes públicos na área de Lisboa (e por quem via as reportagens na televisão) e de repente caiem-nos em cima uns serviços mínimos dos quais ficamos a saber que podem ou não ser parciais, no espaço e no tempo, etc., etc. Eu também acho que a Catarina Martins tem, do ponto de vista teórico, mais o camarada Jerónimo de Sousa, razão, quando dizem que o direito à greve é inalienável. Só não sei onde é que eles vão abastecer os carros. Ou será que o gasóleo vem directamente da Venezuela? Eu sei que não foi muito elegante, este minha pseudopiada, mas nem o “Avarias” está ao abrigo de uma tirada menos conseguida.

Escrevo estas linhas depois da eliminação do FêCêPê para a Liga dos Campeões. Sérgio Conceição tinha dito, há uns dias, que a pré-eliminatória não era o lugar natural do clube, presumo que esse tal mister deveria (por incumbência) ter sido entregue ao Benfica. Agora, depois de eliminado, declarou qualquer coisa, como a “Liga Europa” não é o destino para uma equipa como a dele. Até parece que Conceição andou a comer daqueles cogumelos que fazem um gajo transportar-se para outra realidade. Se assim o foi, um rápido demorado restabelecimento é o que lhe desejo.

Fernando Proença

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