AVARIAS: O regresso às aulas

Fernando Proença

Nem tanto ao mar nem tanto à terra. Os jogadores de futebol que estão para os lados de Espanha, ainda nem se puseram em dia com os fritos que, eles, afiançam serem as pontas do iceberg da sua alta cozinha e já alinham o mais puro portunhalês. Se vão para Itália, não falamos numa semana e lá estão eles a dizer frases sobre a piza, a massa e o molho, quando todos sabemos que Marco Bellini é que sabe.

Ainda bem que somos cosmopolitas, pessoas do mundo como se diz agora, mas talvez não fosse má ideia alguém dizer ao treinador do Sporting, Marcel Keizer, que talvez não fosse completamente fora da realidade, que ele, com o tempo em que está em Portugal, fosse alinhavando umas palavras na língua de Camões, mesmo que fossem palavras de segunda, com as que usa o “Avarias”. Ter dificuldade na língua do poeta, nem é nenhum crime de lesa majestade e ninguém levaria a mal uns erros e umas omissões: mais problemas que Jorge Jesus não deve ter. Então bastaria que os nossos jornalistas sempre tão amigos, começassem a fazer-lhe perguntas em português. Era sim ou sopas. Aliás, sou capaz de uma opinião que talvez seja uma pequena teoria sem nenhum antecedente prático: se Marcel Keizer não fosse treinador de um chamado grande, já há muito que os nossos paineleros lhe tinham cobrado o inglês com o que preenche as conferências de imprensa. No entanto parece ser esta a ordem natural das coisas.

Estando fora uns dias e regressando, sem nenhumas incursões na internet para saber como andava a santa terrinha, é que um gajo se apercebe do ambiente pré-eleitoral que se vive por cá. Estou a ver um noticiário, num canal mais ou menos generalista onde, mais ou menos metade do tempo da emissão é usado em pré-propaganda eleitoral, isto ainda nos finais mês de Agosto. Se em Agosto isto é assim e as eleições são em Outubro, então Setembro vai ser um inferno. Os grandes chefes andam por todo o lado, onde se possa tentar convencer um português a votar. As reportagens consistem sempre em acompanhamentos das chamadas (detesto o nome…) arruadas ou visitas a centros sociais, fabriquetas, e empresas variadas. Saltitante e seguro lá vem o líder mais os seguidores, que ficam todos, a quando da reportagem da televisão a dizerem sim, com a cabeça, com uns sorrisinhos de fotografia. Ou como costumam ser os sorrisos de fotografia; gloriosamente postiços. E depois o chefe, faz tudo mais um par de botas. Vai ao mar com os pescadores, pega numa enxada com os agricultores, comercia com os comerciantes. Até vi Rui Rio a jogar futebol, salvo erro em Monchique. Jogam matraquilhos e agitam bandeirinhas, desde que as televisões vão atrás, porque cada vez mais o povo fica em casa. E depois não digam que não estamos cada vez mais inteligentes.

Fernando Proença

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