AVARIAS: Parecem coisas de Verão… mas não o são

Fernando Proença

A grande notícia mediática de semana, vista em termos de questões domésticas, foi a demolição do chamado prédio Coutinho em Viana do Castelo. Não tenho dado grande importância à televisão nestes dias, mas ainda não vi, em nenhum noticiário (ou num daqueles programas que complementam esses mesmos noticiários, indo mais ao fundo de certas questões, menos quando os problemas são realmente importantes) um artigo de fundo sobre o que se passou com a construção em causa. O resultado final é conhecido: demolir o prédio porque fica muito feio coiso e tal, para construir o mercado da cidade no seu lugar. Tratou-se de uma expropriação, tanto quanto sei, feita em nome do progresso (que agora é construir casas baixas. Há uns anos era fazer arranha-céus), o que me dá a ideia que foram pagos preços abaixo do mercado. Por exemplo gostava de saber quanto receberam, pela expropriação, os legítimos proprietários. O valor do mercado de que falei atrás ou muito abaixo? Terá sido uma coisa negociada ou feita à bruta? Por muito que se critique a – falta de integração – no espaço circundante, os apartamentos estiveram à venda e, qualquer um de nós (mais uns do que outros, é certo!), podia estar caso os tivesse adquirido, na eminência de, hoje, ter sido despejado. E também não seria má ideia saber-se quem foi o autarca que autorizou a construção do mamarracho? Estará hoje com um processo às costas, ou a gozar de uma reforma dourada? Os técnicos camarários foram coniventes? Os fiscais de obras teriam problemas de visão e com isso não repararam como cresceu o prédio?, não se riam, se não estou em erro, essa foi a desculpa (uma das desculpas) para terem deixado construído, outro prédio, completamente desenquadrado do entorno, na baixa da cidade de Coimbra.

No fim disto tudo e tendo a ideia, meio relativa, que a distância me dá, só posso dizer que foi um azar do caraças o que sucedeu aos moradores. Que existem em mais dois ou três locais, prédios tão ou mais feios (porque é de uma questão de gosto que se trata afinal de contas), que ainda se mantêm direitinhos que nem um fuso, neste nosso Portugal. Lembro-vos, só para lhes dar um exemplo, o prédio da Segurança Social em Viseu e em Faro, outro, à saída, depois do Fórum, para quem se dirige no sentido Portimão e onde funciona a loja de uma conhecida marca de papelaria. Isto, só para vos dar dois exemplos. Também em Ayamonte existe um edifício enorme, na zona do rio, próximo da antiga alfandega que altera toda a zona ribeirinha, mas com os problemas dos espanhóis podemos nós bem. Ele que tirem de lá as pessoas e impludam o monstro, que a única coisa que tem de bom é que no décimo andar não se cheira os fritos dos calamares. Até quinta.

Fernando Proença

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