AVARIAS: Um pouco mais do mesmo

Fernando Proença

Do lugar de Lagardère, só com as impressões que o acaso e a genética me deram, posso adiantar que as notícias da TVI, são, apesar de mais vezes do que deviam, por estarem encostadas a uma certa correiodamnhãzisse, do menos mau que podemos encontrar no espectro das televisões mais ou menos generalistas. Depois de um parágrafo destes, quero dizer, com a pujança e iliteracia que os meus quatro amigos podem descortinar, vou ali descansar um bocadinho e já volto. Pronto, já passei pelas brasas, vamos em frente. Por exemplo a SIC: como um canal que precisa de encontrar rapidamente o seu caminho (pura poesia), está numa de ser contra o governo, quer faça chuva quer faça sol. Ser da oposição, na altura em que nos aproximamos de eleições, dá sempre share. E nestes tempos em que basta levantar uma pedrinha para logo dali saírem as figuras imponentes de Sócrates, Vara, Carlos Costa ou um de um Vítor Constâncio, não é difícil falar. Difícil é manter um alinhamento noticioso em que só uma pessoa em coma vegetativo não percebe que há uma vaga de fundo a unir tudo aquilo, em nome de um objectivo final: dizer que a geringonça, ou lá o que é, tem os dias contados. A SIC está então em velocidade cruzeiro: notícias a arrasar Costa, Daniel Oliveira a chefiar o entretenimento e Cristina Ferreira a assessorar Marcelo Rebelo de Sousa. Choro e touradas. Outro dia descortinei um pouco do programa actual do líder do entretenimento Daniel Oliveira. Há uns anos, escrevi neste mesmo espaço, que os operadores de câmara do seu antigo programa faziam apostas para saber em que altura da entrevista a uma personalidade, esta se punha a chorar. Ganhavam os que diziam que será sempre mais ou menos a meio, mais minuto menos minuto. A técnica era sempre infalível: por exemplo o convidado da sessão vai falando sobre a vida, ter sido actor em três novelas, mas que a sua grande vocação é fazer teatro e um dia interpretar Shakespeare, quando Daniel com aquela vozinha melíflua e modos mansos vai buscar o caso de uma tia do entrevistado, que meio entrevadinha, conseguiu que a levassem a Fátima. A ideia seria pedir à Virgem que a partir dessa altura, todos os tugas passassem a usar apenas roupa branca, meias amarelas e deixassem de ver telenovelas. Claro que uma empresa dessas é praticamente impossível de satisfazer, por causa das telenovelas, mesmo para o nível de santo. Nessa altura assomavam à vista as primeiras lágrimas. Vendo tal cometimento, o mestre Daniel ia então buscar, ao saco dos trabalhos de casa (que verdade verdadinha, fazia e faz), o caso de uma avó da convidada que também fazia pacto com os anjos e que morreu fulminada por um raio. As lágrimas transformam-se num pranto, comedido, é certo, tudo muito bem embalado por uma música de partir o coração: Daniel Oliveira no seu melhor. Parece que um morticínio destes teve e tem os favores do povo. Faça-se mais e continue-se por longo tempo.
Vejo a parte final da final da final do campeonato da Europa de futsal feminino. Como, quase, sempre Portugal de vitória em vitória até à derrota final, sempre que nos calhe Espanha em azar . Somos melhores mas nunca nos calha ganhar. Vitória moral volta, estás perdoada.

Fernando Proença

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