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OPINIÃO

Avarias: Ungidos e convencidos

OPINIÃO | FERNANDO PROENÇA

Claro que o “Avarias” não é menos que os outros e viu, sem grande atenção, os formidáveis acontecimentos da final da Liga dos Campeões no Porto. Pinto da Costa estava marfado com António Costa, o governo e em geral com o Sul (não o expressou, mas é mais certo ser assim que um dia morrermos todos), mas atendendo à qualidade da personagem em questão me faz pensar – se calhar muito erradamente – que nem tudo (a ausência de público nos estádios e mais coisas que não sabemos) terá sido tão mau, como o presidente do FêCêPê o pinta. Agora as cenas das bebedeiras, da falta do distanciamento físico (em português macarrónico, “social”), das cadeiradas, das máscaras, são daquelas que não podemos dizer que não se previa. A bolha (que palavra merdosa), a história de virem todos em aviões, contados e selados, jogo ao fim da tarde, um chá no aeroporto e seguir para as terras de sua majestade, só mesmo para quem acreditava nos glutões do Presto.

Não há fuga, foi tudo mal feito, enganaram-nos bem enganados. Se não nos queriam enganar e aquilo foi mesmo a sério, então é difícil ser mais incompetente. Agora a questão de os tipos que vêm de fora e que são melhor tratados que nós (o fundamento de grande parte das queixas, que chegaram de praticamente todos os lados) aborda uma situação que não é nova. Desde tempos imemoriais que os lusos procuraram nos jornais estrangeiros o que se diz – bem – sobre as nossas idiossincrasias, o que pensam os turistas, dos nossos hotéis e a qualidade das sardinhas assadas, opiniões que não sendo de desprezar – bem pelo contrário – se podem tornar obsessivamente mutiladoras, talvez da nossa auto-estima, não sei ao certo.

Geralmente os intelectuais da nossa praça dizem que temos um grande problema com os estrangeiros, um enorme complexo de inferioridade. Temo que tenham toda a razão; só estamos bem quando recebemos de qualquer lugar do mundo a notícia de que temos o melhor sol, praias, vinho, jogadores de futebol e fadistas (aqui, sem dúvida nenhuma). Todos, já alguma vez vimos e ouvimos loas cantadas ao jornal “Time”, sobre a sua opinião em relação ao comportamento da nossa economia e assim. Mas da forma como somos subservientes com os estrangeiros, também somos uns cagões com os cá de casa que até mete nojo, mas isso é uma conversa para termos noutro dia.

Se pensam que não estou a ver bem as coisas dou-lhes só dois pequenos exemplos: primeiro – olho para uma peça, contida no noticiário da RTP1 na noite de três de Junho, numa pequena entrevista ao treinador de Espanha, Luís Enrique em não descansaram enquanto o hombre não disse que Portugal era um candidato a ser campeão. Segundo – Depois de muita graxa à Inglaterra com a final dos tais campeões, eis que os gajos nos tiraram da lista verde – ou lá como se chama – do seu turismo. Ingratos, todos uns ingratos, para quem se derrete com a mais antiga aliança do mundo.

Fernando Proença

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