Britânicos querem insultar-se uns aos outros sem medo da prisão

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Mr. Bean pôs de lado, por momentos, a comédia para se entregar a um assunto sério. E está a dar a cara por uma campanha a favor da legalização do insulto.

“Sinta-se livre para me insultar” é o slogan de uma campanha liderada pelo ator Rowan Atkinson, mais conhecido por Mr. Bean, lançada recentemente no Reino Unido para pôr travão a uma “cultura próxima da censura” que já levou à prisão de um pregador católico, um critico da Cientologia e um estudante bem humorado.

O objetivo primeiro desta iniciativa, que não é propriamente uma comédia embora quem dê a cara seja um comediante, é acabar com uma lei britânica que proíbe o uso de “palavras insultuosas”, desde 1986.

“O problema é que qualquer coisa pode ser interpretada como um insulto: a crítica, a caricatura, o sarcasmo. Inclusive o facto de ter uma opinião diferente da ortodoxa pode ser considerada um insulto”, disse Rowan Atkinson.

O grupo, unido pela liberalização do insulto e que conta, entre outros, com o apoio dos deputados Geoffrey Dera, presidente de uma associação contra o crime nas zonas urbanas, e David Davis, conservador, consideram que o capítulo quinto da Lei de Ordem Pública, que proíbe “palavras, comportamentos e sinais ameaçantes, abusivos ou insultuosos”, atenta contra a liberdade de expressão.

Desde que essa lei está em vigor, foi preso um jovem de 16 anos que, pacificamente, segurava um cartaz com os dizeres “A Cientologista é um culto perigoso”, com o pretexto de poder estar a insultar os seguidores dessa igreja, segundo o “Dailymail”.

O mesmo jornal conta que também tiveram a mesma sorte ativistas a favor dos direitos dos homossexuais, do movimento “Outrage!” quando protestaram “contra o grupo islâmico fundamentalista Hizb ut-Tahrir, que “apelava à matança de gays, judeus e mulheres impuras.

Mais ridículo ainda é o caso do estudante da Universidade de Oxford que foi preso, em 2005, por ter chegado ao pé de um polícia e perguntado: “Desculpe, tem consciência de que o seu cavalo é gay?”. A polícia de Thames Valley considerou que o jovem fez “comentários homofóbicos, ofensivos para as pessoas que por ali passavam na altura”.

E pelo mesmo caminho foram um pregador católico de rua e o proprietário de um café. O primeiro ‘ganhou o direito’ a ser preso por dizer alto que “a homossexualidade era pecado”, o segundo por transmitir no ecrã do se estabelecimento passagens da Bíblia.

Anabela Natário (Rede Expresso)
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