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Cacela: GNR já alertou ICNF para mandar suspender limpeza de terrenos

(Foto: Teresa Patrício)

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A polémica estalou nas redes sociais, quando vários cidadãos começaram a denunciar que uma limpeza de terrenos particulares, localizados junto a Cacela Velha, no concelho de Vila Real de Santo António, estava a “arrasar” com toda vegetação, arbustos e árvores, de uma zona protegida ambientalmente.

O SEPNA da GNR explicou inicialmente que os trabalhos tinham sido autorizados pelo Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), mas, entretanto, depois de uma segunda ação de fiscalização, já alertou aquela entidade para mandar suspender as referidas limpezas, não pelo derrube de vegetação mas devido ao facto dos trabalhos estarem a afetar a arriba.

Teresa Patrício, residente na zona, foi uma das primeiras a denunciar a situação, ao publicando diversas fotografias no facebook. “O mal está feito. Quase 40 hectares de sequeiro, onde não resta nada”, escreveu, sublinhando ainda que a destruição incluiu “oliveiras, alfarrobeiras, figueiras, zambujeiros, tudo mais que centenário, para não falar das imensas espécies da flora autóctone, cuja mancha era bastante significativa”.

E as reações, nas redes sociais, não se fizeram esperar. “Atrocidade ambiental”, considerava Américo Duarte. “Isto é mau demais. Será que não há um INEM para estas emergências?” questionava Eunice Florêncio.

A população mostrava assim a sua revolta. “Fazem o que querem. E, depois, como se trata de uma ilegalidade, pagam a multa e siga o baile. Estamos a assistir ao maior abate do pomar de sequeiro que já foi visto no Algarve. Nem nos anos 70 com a massificação das laranjas e vinha de mesa. É um pesadelo. Mas parece que os algarvios só sabem unir-se, e muito bem, contra o petróleo…”, dizia Vítor Cardeira.

Agostinho Gomes, conhecido fotógrafo de natureza, tentava encontrar uma explicação:
“Infelizmente vim a saber que essa zona é ‘perímetro de rega’ e, como tal, podem terraplanar e meter estufas e outros projetos agrícolas ‘da moda’… na zona onde a maquina está a trabalhar, penso que não podem mexer. Caso houvesse azinheiras e/ou sobreiros também não podiam derrubá-los. Campos de golfe e construção imobiliária “teóricamente” também não se pode fazer”.

O Jornal do Algarve está a acompanhar a situação para tentar perceber, junto das entidades competentes, porque é que foram autorizados os trabalhos, que património ambiental foi destruído e quais as consequências para os alegados infratores.

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