Cacela Velha é palco de campanha de escavações arqueológicas

Este ano, será dada continuidade à escavação do Bairro Almóada do Poço Antigo e da Necrópole Medieval da Ermida de Nossa Senhora dos Mártires de Cacela

Cacela Velha volta a receber o Campo Escola de Arqueologia. O projeto iniciou-se no dia 20 de junho e tem como objetivos a investigação científica sobre a história dos habitantes de Cacela e do seu território entre o Período Islâmico, a Conquista Cristã e a formação do Reino do Algarve, nos séculos XII a XIV.

Os trabalhos decorrem até ao dia 15 de julho naquela localidade da freguesia de Vila Nova de Cacela, concelho de Vila Real de Santo António, e visam proporcionar a componente prática da investigação arqueológica e antropológica aos estudantes universitários.

Este ano, será dada continuidade à escavação do Bairro Almóada do Poço Antigo e da Necrópole Medieval da Ermida de Nossa Senhora dos Mártires de Cacela. Encontra-se também a ser preparada pelos serviços municipais uma nova área, na Várzea Norte, para ali realizar-se uma sondagem arqueológica.

A equipa de Arqueologia é diversificada, sendo composta por alunos de licenciatura e mestrado da Universidade do Algarve e Simon Fraser University (Canadá), doutorandos destas Universidades e Universidade de Coimbra, contando ainda com a participação de um estudante da Universidade de Évora.

A escavação arqueológica enquadra-se no projeto plurianual de Arqueologia “Muçulmanos e Cristãos em Cacela Medieval: território e identidades em mudança”, aprovado em 2017 pela Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), tendo recebido um apoio extraordinário por parte desta entidade.

A coordenação científica do projeto é de Maria João Valente (docente da Universidade do Algarve e especialista em arqueozoologia), Cristina Tété Garcia (técnica superior da Direção Regional de Cultura do Algarve e especialista em Arqueologia Medieval) e Hugo Cardoso (docente da Simon Fraser University e especialista em Bioantropologia).

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A iniciativa decorre do Protocolo de Colaboração estabelecido entre a Direção Regional de Cultura do Algarve, a Universidade do Algarve e a Câmara Municipal de Vila Real de Santo António e conta ainda com a colaboração da Guarda Nacional Republicana (Unidade de Controlo Costeiro) e da Paróquia de Cacela.

Os interessados em conhecer a atividade arqueológica de Cacela e os seus resultados podem inscrever-se no percurso de visita, que terá lugar no dia 09 de julho (sábado), às 18:00, no âmbito do programa cultural “Passos Contados” da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António / Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela.

As visitas ao público voltam a ser possíveis no dia 11 de julho, das 09:00 às 12:00, por ocasião do Dia Aberto do Campo Arqueológico.

Sobre o projeto:

O Castelo de Cacela foi um importante hisn do Gharb-al-Andalus, desde o século X até à sua conquista em 1240 pela Ordem Militar de Santiago da Espada, originando o início da formação do Reino do Algarve.

Este castelo é referido nas crónicas de al-Razi do século X e de al-Idrisi do século XII como um importante núcleo de vigilância e defesa do território e das navegações marítimas entre o oceano Atlântico e o mar Mediterrâneo.

No reinado de Dom Sancho II, o Castelo de Cacela tinha jurisdição administrativa e militar sobre um território coincidente com a atual área do Baixo Guadiana. Fundada a Capela de Nossa Senhora dos Mártires, em Cacela, tornou-se o centro do culto cristão da região, onde os habitantes sepultaram os seus defuntos, possivelmente até aos finais do século XVI.

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