OPINIÃO

CANELA mais FINA

Ali Babá e os 43 anões

Luigi Rolla interAli Babá e os 43 anões

O El Mundo-digital (2.III.20141) publicou um artigo intitulado «43 politicos enchufados* en elétricas» *…+ refere o artigo: «Neste país (Espanha) de trincheiras, um elemento irmana políticos de esquerda, de direita e nacionalistas: a sua tendência a reenchufarse a empresas energéticas depois de deixarem os cargos políticos. A lista de enchufados continua crescendo enquanto a faturação da eletricidade dispara e algumas empresas levam as suas inversões para o estrangeiro. Os últimos em alistar-se foram… (e o diário indica os nomes de três ex-políticos), ungidos na 3ª feira como conselheiros da Enagás, uma companhia que entre outros negócios, distribui gás natural às centrais de ciclo combinado.» A seguir o jornalista diz ter rastreado o staff das energéticas à caça de ex-políticos, referindo que o número encontrado “ronda el medio centenar”. De entre os nomes da lista, destaco eu os de J. M. Aznar (ex-primeiro-ministro do PP), como assessor externo da Endesa e com 200.000 euros anuais, e F. Gonzalez (ex-primeiro-ministro do PSOE) como conselheiro externo de Gas Natural Fenosa e com 126.500 euros anuais. O mais alto vencimento da lista cabe a um ex-secretário de Estado da Energia, como presidente da RE – Rede Eléctrica (como não podia ser de outra forma), com o vencimento anual de 650.000 euros.

Diz Juan Santaló da Fundación de Estudios de Economia Aplicada que «as suas amplas carreiras políticas concederam-lhes um extenso conhecimento no âmbito legislativo e sobre o funcionamento das instituições, o que faz com que os conselheiros políticos aportem um elevado valor para as empresas contratantes e proporcionem às mesmas uma via de acesso privilegiada.» Tudo isto não exclui – acrescento eu – as possíveis qualidades técnicas e de gestão dos referidos políticos promovidos a managers.

O recrutamento destes ex-gestores públicos para cargos de topo nas empresas privadas, leva a pensar – e é certamente errado –, que possa ser uma forma das empresas retribuírem favores prestados durante a passagem deles pela gestão pública, mas isto não passa de pura especulação, sem qualquer réstia de provas. E por cá, o DN noticiava que António Mexia, presidente do c.a. da EDP, ganhou em 2012 o equivalente a 6.391 salários mínimos nacionais… é obra!…

Os factos demonstram que “estar na política” permite conquistar lugares de topo nas grandes empresas, muitas vezes em detrimento de competentes privados cidadãos. *…+ ¿Mas valerá a pena estudar, se até há faculdades complacentes que – a troco não sei de quê – “forjam” lindos e decorativos diplomas?

Entretanto a “C (+) f” de 6.III titulada “Reformados, eu-rodeputados e outros” deu aso a que um leitor do JA postasse no FB *…+ a minha crónica lançou-o num complicado dilema: «Tenho um filho com 8 anos… Instrui-lo ou encaminha-lo para a política?» A pergunta é legítima, mas eu, no lugar dele, talvez não me pusesse semelhante questão… tudo faria para que ele estudasse e se possível tirasse um curso superior – atenção: são dignas de respeito todas as profissões sem exceção, desde que praticadas com honestidade –, porque vivo na esperança que, na maioridade dos meus netos, a política seja mais honesta do que é hoje (o que não é difícil) *…+ depois disto, se ele decidisse entrar em política, – pois paciência… – desde que o faça com honestidade.

«Jovem, grava isto na tua memória: o Mundo apoia-se em quatro fundamentos… a erudição do sábio, a justiça do grande, as preces do justo, e o valor do corajoso. Mas tudo isto não presta sem um governante que conheça a arte de governar.» (Frank Herbert)

Luigi Rolla*

(*) – Enchufado: Ligado ao poder. Protegido.

– Enchufe: Nepotismo.

lgbrolla@gmail.com

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