CULTURA

Canhões da praia dos Caneiros estão estabilizados

Praia dos Caneiros (Lagoa)

Os canhões de ferro da Idade Moderna submersos no sítio arqueológico da Ponta do Altar, junto à praia dos Caneiros, concelho de Lagoa, no Algarve, estão estabilizados e a zona sofreu poucas alterações nos últimos anos, garantiram os especialistas.

Estas são as principais conclusões que os técnicos do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNAS), da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), tiraram de uma ação de monitorização realizada em julho com a colaboração das empresas locais OpenWaters e Portisubdo, no sítio arqueológico da Ponta do Altar A, que foi identiticado em 1982, revelou à agência Lusa a DGPC.

A Direção-Geral explicou que a ação de monitorização visou criar registos fotográficos do sítio para compará-los com outros feitos previamente e perceber se houver alterações nas peças ou no local onde estão, sendo possível “assumir que os canhões se encontram estabilizados, sem que tenham decorrido alterações muito significativas nas camadas de incrustação que os protegem, nem no fundo marinho que os envolve”.

A mesma fonte considerou a situação das peças e do fundo “aconselham a sua manutenção no local”, argumentando que “a sua recolha para tratamento de conservação e restauro num laboratório, seria sempre morosa, dispendiosa e não isenta de riscos”.

O organismo público referiu que o sítio arqueológico da Ponta do Altar A está situado numa “área que corresponderia a um fundeadouro utilizado pelas embarcações que pretendiam entrar no rio Arade, pelo menos desde época romana”, em fundo “rochoso e arenoso”, e conta com “três canhões de ferro da época moderna”, a cerca de três metros de profundidade.

“No local encontra-se visível um conjunto de três canhões em ferro de época moderna, a uma profundidade inferior a 3 metros e em relativo bom estado de conservação. Os trabalhos arqueológicos da DGPC/CNANS visaram o registo fotográfico, a medição das peças e a obtenção de medidas entre as peças de artilharia, bem como o registo da sua orientação, profundidade e estado de conservação”, enunciou.

A mesma fonte adiantou que o está em curso “um Projeto de Investigação Plurianual de Arqueologia (PIPA) designado ‘Um complexo portuário milenar no Barlavento Algarvio: a arqueologia do estuário do rio Arade’”, dirigido pelos “investigadores Cristóvão Fonseca e José António Bettencourt, do Centro de Humanidades (CHAM) da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa”, em “parceria com o Museu Municipal de Portimão”.

“Estes investigadores consideram que o sítio arqueológico pode corresponder a um contexto de naufrágio de um navio, e que a ausência de outros vestígios arqueológicos pode explicar-se pela pouca profundidade onde os canhões se encontram, ou seja em resultado da agitação marítima, ou de ter havido um resgate logo após a época do naufrágio”, acrescentou.

A DGPC considerou que o património arqueológico náutico e subaquático “é fundamental para compreender o nosso passado”, mas advertiu que “é um recurso finito, facilmente destrutível e não renovável”, pelo que as ações de monitorização são “muito importantes” para “a gestão da paisagem cultural marítima de Portugal”.

“É neste pressuposto que a DGPC, através do CNANS e em parceria com o Museu Marítimo de Oslo, irá promover o projeto ‘Water World: capacitação e competências para a conservação e a gestão do Património Cultural Subaquático’”, no âmbito do Programa Cultura do Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu EEA Grants 2014-2021 Portugal, onde, entre outros trabalhos, se pretende verificar, caracterizar e avaliar os achados que foram comunicados nos últimos 30 anos à DGPC/ CNANS”, destacou.

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