Caravela Vera Cruz já partiu para Santiago de Compostela

A embarcação dirige-se hoje para o porto de Vilamoura

A réplica da Caravela Vera Cruz, que esteve desde quarta-feira, dia 25 de maio, atracada em Vila Real de Santo António, partiu na manhã deste sábado, dia 28 de maio, em direção a Santiago de Compostela, naquele que é o primeiro Caminho Marítimo de Santiago.

A embarcação dirige-se hoje para o porto de Vilamoura, onde irá pernoitar, seguindo depois para Sines (30 de maio), seguindo-se Cascais (1 de junho), Peniche (3 de junho), Ria de Aveiro (4 de junho), Matosinhos (6 de junho), Viana do Castelo (8 de junho), Baiona (10 de junho), Vila Garcia de Arousa (11 de junho) e, por fim, Pádron (12 de junho).

Ao todo serão percorridas cerca de 500 milhas náuticas e os últimos 12 quilómetros que ligam Pádron a Santiago de Compostela serão feitos a pé pelos viajantes.

A partida da embarcação decorreu às primeiras horas da manhã, com a presença de muitos curiosos e a participação do presidente da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, Álvaro Araújo, além de outras entidades. A participação da Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, acabou por não acontecer, apesar de estar confirmada a sua presença pelo Governo.

Este novo projeto, que reúne cerca de 150 participantes, pretende recriar, na costa portuguesa, a viagem da mítica “Barca de Pedra”, que terá transportado o corpo do apóstolo Santiago até à Galiza, em Espanha, a navegar entre locais associados ao culto e à Ordem de Santiago.

Reza a lenda que durante o primeiro milénio, o corpo de Tiago atravessou o mar Mediterrâneo, numa viagem que ligou Jaffa (Palestina) até Campus Stella (Espanha). O corpo terá sido sepultado num bosque e o seu túmulo descoberto apenas oito séculos depois, quando uma estrela guiou o primeiro peregrino até ao local.

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Este acontecimento ficou marcado como a primeira grande peregrinação e o primeiro Caminho de Santiago.

A Caravela Vera Cruz será a “Estrela Polar” deste cruzeiro inaugural e foi construída no início do século para celebrar os 500 anos da descoberta do Brasil, sendo possível subir a bordo em todas as estações náuticas do percurso.

Esta iniciativa tem o Alto Patrocínio da Presidência da República e o apoio institucional da Marinha Portuguesa e resulta da parceria entre a Upstream Portugal – Valorização do Território e o Fórum Oceano – Associação da Economia do Mar, com o apoio consultivo da Associação Nacional de Cruzeiros (ANC), da estação Náutica do Baixo Guadiana – coordenada pela Associação Naval do Guadiana – e dos municípios de Vila Real de Santo António, Castro Marim e Alcoutim.

O evento conta com quase uma dezena de embaixadores, nomeadamente Fernando Pimenta, João Rodrigues, Joana Pratas, Francisco Lufinha, Hugo Rocha e Ângela Fernandes, seis desportistas que representam modalidades como windsurf, canoagem, vela, kitesurf e standup paddle.

O novo e primeiro “Caminho Marítimo de Santiago” em Portugal vai contar ainda com um Inteiro Postal da República, desenvolvida em parceria com os CTT – Correios de Portugal, que contará com mais de três mil exemplares e estará disponível em todas as estações náuticas do cruzeiro.

Ministra da Coesão Territorial apoia projeto

O projeto foi apresentado no dia anterior, sexta-feira, dia 27 de maio, com a participação da Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, com algum atraso, na sede da Associação Naval do Guadiana, em Vila Real de Santo António.

O presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (CCDR), José Apolinário, destacou este projeto como um “ícone cultural” que pretende “levar as pessoas para a descoberta do mar” e que “une dois povos”, o português e o espanhol.

Já o presidente da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, Álvaro Araújo, que visitou a Caravela Vera Cruz e conheceu a tripulação deste projeto “pioneiro”, considerando este “um momento muito importante para o concelho, para o Algarve e Portugal”.

A última intervenção da noite ficou a cargo da Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, que começou por falar de um “projeto ambicioso”, referindo-se à ampliação e requalificação do porto de recreio de Vila Real de Santo António, que pretende “criar novas condições” e que permite “uma melhor fruição de quem visita, com mais segurança e mais dinamismo”.

A responsável referiu que os territórios do Baixo Guadiana “têm enormes potencialidades, mas também fragilidades”, mas que se deve “cuidar primeiro de quem cá está”.

Ana Abrunhosa reconhece a importância deste projeto “em rede com nuestros hermanos” e afirma que a rota vai trazer de Espanha “bons ventos” e “bons casamentos”, referindo-se a projetos conjuntos dos dois países transfronteiriços.

“São projetos como este que valorizam a nossa cultura e nosso mar, mas depois ao longo do caminho permitem valorizar outras partes do nosso território”, acrescenta.

A apresentação contou ainda com a participação do presidente da Câmara Municipal de Castro Marim, Francisco Amaral, a vice-presidente da CCDR, Elsa Cordeiro e a presidente da Assembleia Municipal de Vila Real de Santo António, Célia Paz.

Primeira viagem é um teste

António José Correia, da Fórum Oceano – Associação de Economia do Mar, contou que este cruzeiro será o “primeiro teste” de um projeto que visa criar, por mar, uma estrutura de apoio que permita a qualquer pessoa percorrer a costa portuguesa rumo a Santiago de Compostela, na região espanhola da Galiza.

A mesma fonte disse que a criação de um percurso marítimo foi “um desafio” apresentado pela Upstream à Fórum Oceano para, “com as redes das estações náuticas” que existem ao longo da costa portuguesa, se poder “estruturar o Caminho Marítimo de Santiago em Portugal, no quadro do Caminho Português de Santiago”.

“Falei com as estações náticas e houve uma unanimidade em acolherem este projeto, porque vai criar condições para que, em qualquer altura do ano, qualquer nauta, peregrino nauta ou qualquer velejador possa demandar os portos que nós denominámos como portos de Santiago”, afirmou António José Correia.

Aquele responsável salientou que há “uma listagem de cerca de 40 portos, uns mais pequenos, outros maiores, uns com mais ligação à rota que a ‘barca de pedra’ terá traçado vinda de Jaffa [em Israel] até à Galiza” quando transportou o Santo Peregrino para Compostela no ano 40 do primeiro milénio, que poderão depois ser utilizados pelos viajantes.

A colaboração das estações náuticas – que “são coordenadas por municípios ou comunidades intermunicipais”, exceto a do Baixo Guadiana, em Vila Real de Santo António, gerida por uma associação naval – permite “garantir” que em cada porto há “condições de acolhimento ao nível das embarcações” e apoio para “receções” ou “para algum alojamento”.

“É esse o nosso horizonte temporal. Iremos fazer por fases, mas a partir do momento que fazemos o cruzeiro inaugural, com a identificação em cada local daquilo que são as entidades acolhedoras, criaremos condições para que o Caminho se se possa fazer”, referiu.

Segundo António José Correia, o objetivo é “fazer a estruturação até ao final do ano e depois, para o ano, ter um cruzeiro ainda mais robusto e já com a experiência e a aprendizagem toda deste ano inaugural”.

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