Cardeal aconselha prudência no exercício dos direitos constitucionais

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O Patriarca de Lisboa, cujo mandato termina no dia 26 de fevereiro do próximo ano, pede ao Governo que não seja insensível ao clamor dos pobres e aos cidadãos que acatem as decisões dos órgãos de soberania.

“As grandes decisões nacionais não podem ser decididas fora do quadro institucional da democracia, senão é o fim da democracia, um estado pré-revolucionário. Que Nossa Senhora nos defenda disso”, disse o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. José Policarpo, ontem, em entrevista à TSF.

“Somos uma democracia representativa, temos órgãos de soberania que elegemos, (não estamos numa ditadura), têm o seu dinamismo, onde a vontade popular se exprime nessa eleição”, lembrou.
O cardeal D. José Policarpo referia-se à tendência crescente para a revolta popular em tempos de crise.

Na sua opinião, a falta de informação sobre a situação real, “pode levar este dinamismo de manifestação” a outros campos. “E eu tenho mais do que aquele é veiculada nos jornais. Mas não temos muita. Pela primeira vez, um dia destes, o primeiro-ministro disse o número do défice eu nunca tinha ouvido.”

Para o patriarca, que reafirmou ser um acérrimo defensor do quadro democrático em que estamos inseridos, as manifestações são justas “no sentido constitucional do termo, agora, há circunstâncias… O bem comum pode exigir que o próprio exercício dos direitos seja prudente, tenha em conta o bem comum”.

“Ao governo peço que escute, não seja insensível ao clamor dos pobres. Penso que um governo para governar bem tem de ter as soluções técnicas e neste momento são muito apertadas”, disse.

“Na situação, em que não só o nosso pais mas também outros países da União Europeia caíram, as soluções no quadro sócio-económico às vezes são só uma e a arte politica é a de embrulhar, ou seja a de a administrar com equidade e com justiça.”

“Se estivermos sossegadinhos na sacristia ninguém se mete connosco”

“Passados 50 anos sobre a anunciada primavera na igreja, por joão XXIII, essas flores terão já secado”, perguntou-lhe o jornalista Manuel Villas-Boas. “Não, secaram algumas como em qualquer jardim”, respondeu.

O cardeal de 76 anos está convencido que, hoje, a Igreja Católica “é uma realidade muito bonita”, mas é preciso “não confundir” o que nela se passa “com o que se passa na Europa”.

“O grande desafio de ser igreja, como ser cidadão consciente, isto que a gente sente na igreja é também uma realidade da sociedade civil, aceitar a diferença sem necessariamente me converter a ela, no caso da igreja tem uma condição é que há um núcleo fundamental da fé cristã que tem de ser mantido senão já não é nada”, especificou.

“Sinto é que aquele grande desafio, que tinha o seu quê de utopia, do diálogo da igreja com o mundo contemporâneo, e só há diálogo se há interlocutor, sinto que o mundo contemporâneo, regra geral, não se abriu a esse diálogo da Igreja.”

“Hoje a tendência das democracias ocidentais, e não só, é o reconhecimento da liberdade de culto e, portanto, se a gente estiver sossegadinhos na igreja e na sacristia ninguém se mete connosco”, concluiu.

(Rede Expresso)
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