“Carne de cavalo contaminada é um risco menor para a saúde humana”

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Bastonária dos médicos veterinários garante que ingestão de carne de cavalo contaminada com o anti-inflamatório fenilbutazona significa risco “menor” para a saúde dos humanos.

Não há razões para alarme. Ainda que esteja contaminada com resíduos de um anti-inflamatório muito usado nos cavalos, a fenilbutazona, o risco para a saúde dos humanos que comam desta carne é “menor”. Quem o garante é a bastonária da Ordem dos Médicos Veterinários, que em entrevista ao Expresso, assegura que esta substância é tóxica mas não provoca cancro.

“A presença de resíduos de fenilbutazona na carne de cavalo, só por si, não tem de ser uma coisa má. Estamos preocupados porque é tóxico e pode causar, por exemplo, problemas gastrointestinais, como úlceras, mas não é carcinogénico como os nitrofuranos [drogas tipicamente usadas como antibióticos e antimicrobianos]”, explicou Laurentina Pedroso.

Segundo a bastonária, que se doutorou em segurança alimentar e saúde pública veterinária, a fenilbutazona é muito usada nos animais – “é um produto de eleição para tirar a dor” – e pontualmente na medicina humana em pessoas com artrite reumatoide ou gota.

Laurentina Pedroso assegura ainda que “só a ingestão em grandes quantidades de carne de cavalo com estes resíduos poderiam desencadear uma úlcera”. Uma situação extremamente improvável em Portugal, onde as estatísticas indicam um consumo anual per capita (por pessoa) inferior a um quilo.

“A União Europeia não definiu qualquer tipo de limite – nem mínimo, nem máximo – para os resíduos de fenilbutazona na carne de cavalo porque o seu consumo é diminuto, já que se tratam de animais de companhia, lazer ou desporto”, explica a bastonária, que é também professora de segurança alimentar. Em Portugal, por exemplo, no ano passado foram abatidos 2750 cavalos contra mais de 400 mil bovinos.

Ora, não havendo limites definidos, prossegue Laurentina Pedroso, “isso quer dizer que não deve lá estar, mas quando é detetado algum resíduo de fenilbutazona [tal como foi noticiado hoje na Grã-Bretanha] isso também não significa um risco para a saúde humana”.

A bastonária dos veterinários aconselha os consumidores portugueses a terem “confiança” e a “consumir produtos portugueses” até porque no nosso país “a indústria alimentar não tem necessidade de recorrer a este tipo de matérias-primas”.

Carlos Abreu (Rede Expresso)
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