ATUALIDADE PAÍS POLÍTICA

“Chega de fabricar escravos”

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O general Pinto Ramalho diz que a reestruturação da dívida pública tem pelo menos de ser discutida, pois “a ideia de só haver uma solução é redutora em democracia”. O ex-provedor de Justiça Alfredo de Sousa considera que a petição já está a provocar essa discussão. O bispo Januário Torgal refere que a subscreveu para “não ser cúmplice de uma injustiça histórica extraordinária”.

A petição “Preparar a reestruturação da dívida para crescer sustentadamente” já ultrapassou as 25 mil subscrições, muito além das quatro mil necessárias para ser discutida na Assembleia da República. “Eu assinei para não ser cúmplice de uma injustiça histórica extraordinária. Isolado ou não isolado, devo dizer, da parte da Igreja, que chega de fabricar escravos. Não quero ser cúmplice de um banho de sangue”, afirma ao Expresso o bispo Januário Torgal.

“Este ano vou celebrar o 25 de Abril vestido de negro”, exclama ainda o ex-bispo das Forças Armadas, mostrando-se extremamente crítico em relação ao atual Governo, considerando mesmo que alguns dos seus membros “gostariam que o regime do Estado Novo ainda vigorasse”.

“Sofrimento, sacrifício e brutalidade, sem uma reforma justa e capaz do Estado” é o modo como o bispo qualifica as consequências da atuação do Executivo de Pedro Passos Coelho.

“O capitalismo foi sempre explorador, o neoliberalismo segue-lhe as pisadas. Este Estado explora os mais pequenos”, acrescenta Januário Torgal, que espera que a petição possa por provocar um “rebate de consciência político-cívica” na Assembleia da República.

“Quem levanta dúvidas está mal informado?”

Um dos objetivos da petição é que a Assembleia da República desencadeie “um processo parlamentar de audição pública de personalidades relevantes”. O ex-provedor de Justiça Alfredo José de Sousa diz que tal só conseguiria ser aprovado caso não houvesse disciplina de voto entre os deputados da maioria PSD-CDS.

Apesar disso, considera que um dos objetivos já foi cumprido. “Lançar a discussão sobre os verdadeiros problemas, atuais e futuros, da sociedade portuguesa. Discutir a sobrevivência das pessoas, as condições para a reestruturação da economia e para o combate ao desemprego.”

O general Pinto Ramalho, ex-chefe do Estado Maior do Exército, refere que subscreveu a petição como pai e avô, preocupado com o futuro. “Surpreende-me que se diga alegremente que a situação é para durar 20 anos, pondo em causa as expectativas naturais de uma ou duas gerações”, sustenta.

“Ter-se criado a ideia de que só há uma solução é uma atitude redutora em democracia. Que raio de política é esta? Espanta-me a frieza com que se dizem algumas coisas. Não há outro caminho? E quem levanta a dúvida está mal informado?”, questiona o general.

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