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Ciência será o “último sector” que o governo vai sacrificar

Ciência será o “último sector” que o governo vai sacrificar

A ciência é o “último sector” que o governo irá sacrificar, garantiu hoje o presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia num encontro de investigadores portugueses no Reino Unido interessados em regressar a Portugal.

Num debate dirigido pela jornalista Fátima Campos Ferreira na universidade de Southampton, onde decorreu o Luso2010 no sábado, João Sentieiro afirmou que “a estratégia da FCT é que o investimento principal é em recursos humanos”.

O presidente desde 2006 da instituição nacional responsável pelo financiamento de bolsas de estudo e projetos de investigação portugueses desenhou um panorama favorável.

“O que nós temos de ter é mais gente altamente qualificada e vocês, neste momento, se regressarem ao vosso país, têm instituições para vos receber”, defendeu.

Em vez de “uns grupinhos de pessoas com mais ou menos vontade”, sustentou, “vão encontrar grandes instituições espalhadas por todo o país”.

“Vão encontrar também da parte do governo”, acrescentou, “uma vontade muito firme que a ciência seja o último sector a ser sacrificado se tivermos de ser sacrificados”.

Um ramo onde “há grandes oportunidades nos próximos anos”, avançou o reitor da Universidade de Lisboa, é no ensino superior. António Sampaio da Nóvoa referiu o problema “da Universidade de Lisboa e de uma boa parte das universidades portuguesas”, onde a média de idades ronda os 50 anos.

“Temos um corpo docente extraordinariamente envelhecido e vai ter de ser renovado no prazo de dez anos inevitavelmente”, prognosticou.

O debate concluiu a quarta edição deste encontro anual, onde vários investigadores falaram dos seus percursos de vida, alguns dos quais com passagem também pelo estrangeiro.

Maria de Sousa, coordenadora de investigação no Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC), regressou em 1985 porque queria estudar uma doença no país.

“É uma história de êxito, mas por sorte”, admitiu à agência Lusa.

Pelo contrário, Paula Mendes, professora auxiliar na Universidade de Birmingham, disse estar “bem aqui”.

“Não é a altura ideal para mudar porque investe-se muito tempo e energia em criar um grupo e arranjar financiamento mas”, ressalvou, “não é uma coisa que um dia não possa considerar se as condições estiverem lá a nível pessoal e profissional”.

Para Sampaio da Nóvoa, “a circulação internacional é absolutamente indispensável” para uma carreira académica ou nas ciências, declarou à Lusa.

Já a decisão de “regressar ou não a Portugal é estritamente pessoal”, defende.

Depois de ser ter queixado no debate de que “o pau está demasiado ensebado”, Tiago Rodrigues, a realizar pós doutoramento na investigação de cancro, admitiu no final que algumas dúvidas foram respondidas.

Todavia, confessou que a incerteza causada pela crise global e a desconfiança sobre a organização da ciência em Portugal “desacomodou ainda mais” muitos dos que querem voltar.

BM

Lusa/JA

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

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