OPINIÃO

Comunicando desportivamente: As Autarquias e o Desporto: Que Clube desportivo? (IV)

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OPINIÃO | HUMBERTO GOMES

Na relação com a Autarquia, que Clube desportivo? (IV de VII)

Integrado na: ‘Que políticas desportivas municipais’, sub-tema do nosso último ‘ensaio’, surge-nos hoje a abordagem aos clubes desportivos.
Muito se tem dito e escrito, face à realidade desportiva nacional, sobre a forma de como os clubes se têm, de algum modo, substituído à ação do Estado no plano da formação desportiva, particularmente dos mais jovens.

Constata-se, com relativa facilidade, que, em muitos casos, se não fossem os clubes desportivos, e perante a evidência do Estado se ter revelado incapaz de garantir o desejável sustentáculo de formação desportiva, quantos e quantos jovens não teriam aprendido a jogar basquetebol, a patinar, a velejar ou a nadar. A Escola, como já o mencionámos em anteriores ‘ensaios’, deveria constituir-se no local apropriado, mesmo estratégico, a uma verdadeira alfabetização desportiva, enquanto importante avanço civilizacional.

Enquanto verdadeira questão nuclear, valerá por dizer que não pertencerá aos clubes desportivos substituírem-se ao Estado, sendo que esta desejável separação terá, inevitavelmente, consequências políticas evidentes.

Razão pela qual, na relação com a Autarquia, o clube na via do associativismo, não é, nunca o deverá ser, uma questão de fé, assim a modos como uma espécie de religião onde os milagres possam acontecer, na medida em que em que se não vivenciam virtudes e defeitos.

A este propósito, mestre – porque sábio! – José Manuel Constantino, relativamente aos apoios, ‘adverte-nos’: “No movimento associativo nem todos preenchem indiscutíveis funções sociais. É por isso obrigação do Estado – da administração central à local – ser exigente, e não comprometer recursos onde não existam resultados sociais e desportivos inequívocos, onde não existam dirigentes que dão suficientes e sólidas garantias de idoneidade, responsabilidade e adequado uso dos recursos públicos que são disponibilizados”.

E, acrescentamos nós, colocando o dedo na ferida , com forte convicção, sublinha: “É meritório sempre que um clube é uma escola de formação desportiva, onde as crianças e os jovens tomam contacto com o desporto. A estes, células básicas do tecido desportivo, é indelével obrigação dos poderes públicos disponibilizar meios e recursos que viabilizem e potenciem a sua indiscutível função social. Mas estes não se podem confundir com o novo tipo, os ‘subsídios dependentes’, que parecem existir apenas para pedir e exigir. Mas que oferecem pouco à sociedade. Que se servem mais do que dão. Que por vezes se dá conta de que existem, apenas no momento em que se candidatam aos apoios oficiais”.

Verdade, mestre, mas lamentavelmente muito vamos observando, cá pelo nosso burgo, a justificar uma radical mudança de mentalidade e de cultura – a desejável aliança entre a teoria e a prática -, que o mestre, em síntese, sustenta: “Precisam sobretudo de uma outra atitude para com o saber, valorizando-o e dispondo-se a renová-lo. É que não se trata apenas de saber mais. Como tudo na vida o saber também se deprecia”.

Vezes quantas, como que prestando vassalagem às conveniências e proventos próprios, se ignora e, por vezes, se ilude a decisiva importância do ‘saber prático’, que, com princípios e valores, nos dá a confortável via de ‘acesso ético’ à constatação de que o sucesso, o êxito não se compra, apenas se merece!

Na via de um caminho responsável e responsabilizante, continuaremos a procurar resposta à pergunta: Que Futuro Autárquico?


Voltaremos, na próxima edição, com: As Autarquias e o Desporto, com novo ‘ensaio’ e sub-tema: – A prática profissional é compatível com a Autarquia? (V de VII).

Humberto Gomes
*“Embaixador para a Ética no Desporto”

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