OPINIÃO

Comunicando desportivamente: Exemplos de vida

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OPINIÃO | HUMBERTO GOMES

Do estrelato ao quase… abismo

Estrela, atleta de eleição, cujas atuações encantaram o mundo do atletismo nas corridas de média distância, a espanhola Marta Domínguez, que em 3 de Novembro próximo completa 46 anos, tem hoje uma profissão bem diferente, em nada relacionada com a prática desportiva, ao ser vigilante numa estação de comboios em Ave-Palencia, sua cidade natal.


Possuidora de um currículo impressionante, atente-se que se sagrou duas vezes campeã europeia de 5.000 metros (2002 e 2006) e por duas vezes vice-campeã mundial na mesma distância (2001 e 2003), enquanto nos 3.000 metros obstáculos, em 2009, arrebatou o título mundial, mas incidências graves relegaram os resultados para um plano secundário.


A tal ponto que em 2010, viu o seu nome envolvido no escândalo associado à ‘Operação Galgo’, relacionada com ‘doping’ no atletismo em Espanha, envolvendo atletas e treinadores, mas que, após aturadas investigações, foi declarada inconstituicional e o processo arquivado, não obstante uma juiza do coletivo de juizes tivesse deixado claro que tinha suspeitas sobre Marta Domínguez.

O suficiente, face ao melindre da situação, para quebrar a sua carreira política, ela que chegou ao lugar de senadora. Daí para cá avolumaram-se as dificuldades em manter uma atividade ligada ao desporto, e ao atletismo em particular.


Razão pela qual, tem sido um calvário para conseguir a subsistência básica. Depois de tudo ter tentado para ingressar nos quadros da polícia, sucessivamente inviabilizada, por carência de condições exigidas, é então que surge, antes do…abismo, um lugar de vigilante numa estação de comboios na sua terra natal.


Daí que do: ‘Estrelato ao quase…abismo’

Paixão e amor no clã familiar


Com contornos de sonho concretizado, Miguel Maia, voleibolista de eleição, hoje com 50 anos, praticante da modalidade desde os 7 anos, tendo começado na Académica de Espinho, a que seguiu a representação pelo Sporting, regressa agora à sua Académica, que o viu nascer, para se manifestar assim: “Estou muito feliz por jogar agora com o meu filho e com o meu sobrinho, na equipa onde também jogou o meu pai. Que foi ainda seccionista e diretor, andou com o barco às costas”, salienta Miguel Maia.


Por sua vez, o filho, Guilherme Maia, com 19 anos, curiosamente atua na mesma posição do pai, a de distribuidor, o que poderá ocasionar algum constrangimento, face à opção da equipa técnica, ou… não? Peremtório na resposta, o veterano, com mais uma jogada de exímio praticante, justifica:

“Estou preparado para ser suplente, mas vou lutar pela titularidade. Se assim não fosse estaria a dar-lhe (ao filho) um mau exemplo”.


Ao estrear-se, em jogo da 2ª jornada, diante da Académica de S. Mamede, surgiu a primeira vitória por 3-1, Miguel Maia, ainda sublinha, em função do percurso e da realidade que, a partir de agora irá vivenciar, com os pés bem assentes no solo, de uma qualquer quadra de voleibol: “Obviamente que estou consciente da idade que tenho e do que já fiz. Mas ainda me sinto com capacidade para ajudar a equipa. Mas é uma possibilidade que seja a última época. A certeza que tenho hoje é que terminarei a carreira na Académica de Espinho, mas reservo uma percentagem para decidir, consoante a condição física”.

Formular votos para que a condição física não desvaneça, então, a vontade, o querer e a determinação deste autêntico ídolo. Poder-se-á argumentar:

“Ídolo, assim tanto?”. Sim, ídolo, porque ensina, sendo!


Com a assertividade que a atuação de qualquer um dos distribuidores – pai ou filho -, a justificar: Paixão e amor no clã familiar.

Humberto Gomes
*“Embaixador para a Ética no Desporto”

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