futebol
OPINIÃO

Comunicando desportivamente: Na rota da indisciplina

OPINIÃO | HUMBERTO GOMES

Na rota da indisciplina: obsceno e reprovável

Longe vão os tempos em que, recorrentemente, os gestos de fair play faziam parte do nosso quotidiano, em muitas pugnas desportivas, particularmente do futebol, e em redor e por dentro da cultura dos clubes.


Clubes, a quem, na esmagadora maioria, começa a ser imperioso lançar um alerta contra o lamentável fosso que, a pretexto da alta competição e da tecnocracia, se vai instalando entre os clubes e a sua alma.


Sim, a sua alma, na medida em que os clubes, na sua essência, deveriam ter presente que não são apenas uma equipa de futebol e os comportamentos que, neste caso, lhe estão subjacentes. Deveriam ser (e sobretudo) um ideal e constituir-se como uma força moral. Só que, vezes quantas, e infelizmente, há quem o esqueça e, pior do que isso, desprezando a verdade dos factos, utilizando, em substituição, a mentira que, nos indignos egos instalados, mais não é do que a verdade que se esqueceu de acontecer…

Vem este introito, a propósito da obscenidade observada no jogo da passada jornada que opôs o Boavista ao Rio Ave. A dado momento, o treinador do Rio Ave, Miguel Cardoso, instantes após Fábio Coentrão ter recolocado o empate 3-3, que seria o resultado final, levantou os dedos do meio na direção do banco do Boavista.


Gesto que, breves minutos decorridos, se tornou viral e já circulava à velocidade da luz pelas redes sociais e pelos mais variados tipos de troca de mensagens, facto que, em nada e por nada, dignifica quem o produziu, como se expressou o treinador do Boavista, Jesualdo Ferreira: “Não gostei nada de ver a atitude do treinador do Rio Ave, não me parece que o dignifique”, enquanto que o autor do gesto admitiu que: “O gesto não é bonito”. Assim a modos como a mera e condenável relação de proximidade entre a verdade e a mentira…

Ignoramos, como quantos à distância, o que se terá passado entre Miguel Cardoso, treinador do Rio Ave, e o banco do Boavista, no decorrer da partida. Só que por muitas razões que possam assistir ao técnico vilacondense, o gesto feito com os dedos médios de cada mão é obsceno e reprovável!


A fazer recordar, neste tristíssimo episódio, Lourenço Filho: “A educação é uma ou não existe”, no Desporto como na Vida!

Humberto Gomes
*“Embaixador para a Ética no Desporto”

PUB
Tamanho da Fonte
Contraste