OPINIÃO

Comunicando desportivamente: O gesto é tudo

OPINIÃO | HUMBERTO GOMES

É o que sugerem algumas imagens observadas em público, que contêm em si, e, agora, em tempo incerto e de dúvidas proporcionado pelo covid-19, neste emaranhado do quotidiano em que, vezes quantas, se torna difícil descortinar o que é causa e efeito e o que, afinal, prevalece.

Seja na vida quotidiana, nesta aldeia global, como por exemplo, recordar Lula da Silva que cerrou o punho para combater as suspeitas de ilegalidades que o perseguiam, ou nas ruas árabes, quando os dedos em “v” uniram milhões de pessoas contra regimes déspotas, ou ainda na Tailândia, onde manifestantes recorreram ao gesto de resistência da saga “Hunger Games” para desafiar o governo; seja na área do desporto, e do futebol em particular, quando recentemente Bruno Fernandes começou a ensaiar o gesto de tapar as orelhas após a marcação de um golo.

Relatemos o episódio, em discurso direto, pelo próprio meio-campista, de 26 anos completados faz hoje precisamente um mês, agora ao serviço do Manchester Unietd, depois de ter sido considerado o melhor jogador da edição de 2019/2020 da Liga Europa.

Conta-nos, Bruno Fernandes : “Quando eu ou a minha mulher (Ana) dizíamos à minha filha (Matilde), que tem agora três anos, para deixar de lado os brinquedos, ela colocava as mãos nos ouvidos e fingia que não estava a escutar. Eu achava aquilo engraçado e comecei a celebrar daquela maneira os golos que marcava. Ela via-me na televisão e sabia que era uma mensagem para ela. Quando me esqueço de o fazer ou a câmara de TV não apanha o meu gesto, já sei que vou ter um problema”. E que problema será? Simples: “Quando chego a casa ela pergunta-me logo porque não o fiz”, naturalmente que a cobrar ao seu progenitor.

Enquanto fenómeno cultural, de grande magia e impacto social – o futebol -, achámos realmente curioso este episódio de natureza comportamental, dando-lhe a importância que realmente merece e trazê- ao “palco dos acontecimentos” porque se rege por bons costumes e hábitos, eles próprios guiados pela emoção.

E que, (muito) merecidamente, se aplaude, de pé!

Humberto Gomes

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