OPINIÃO

Comunicando desportivamente: Pela boca morre o peixe…

OPINIÃO | HUMBERTO GOMES

É um célebre e, vezes quantas, tão sábio adágio popular.


O já tão popular snooker, cada vez com maior número de adeptos, protagonizou recentemente um episódio, tão curioso como bem exemplificativo da sabedoria deste adágio.


Ronnie O´Sullivan, sagrou-se campeão mundial, em 16 de Agosto último, quebrando um jejum que durava desde 2013, ao bater o compatriota Kyren Wilson por 18-8, na final disputada no Crucible Theatre, em Sheffield.


O´Sullivan, de 44 anos, sucedeu ao compatriota Judd Trump, ao repetir os êxitos de 2001, 2004, 2012 e 2013, na sua sétima final, com menos um título do que o escocês e recordista Stephen Hendry, mas igualando os números do também inglês Steve Davis e do galês Ray Reardon.


O´Sullivan, face ao seu jogo rápido, para além da invulgar destreza de tacar com ambas as mãos, mereceu-lhe a designação de “The Rocket”, tornando-o, de facto, no mais popular dos jogadores.


Só que, talvez que um pouco por ironia do destino, no melhor pano cai a nódoa ou, noutra face da moeda, pelo boca morre o peixe… pois que o teenager Aaron Hill, com apenas 18 anos, derrotou O´Sullivan por 5-4, na 1.ª ronda da prova que decorreu em Milton Keynes, na Inglaterra.


Dias antes de conquistar este seu 6.º título mundial, O´Sullivan havia-se expressado desta forma: “Se olharmos para os jovens jogadores a aparecer, não são bons. Alguns podem tornar-se relativamente decentes como amadores. Muitos deles fazem-no a pensar que teria de me cair um braço e uma perna para sair do top 50”.


Pelos vistos quem não ficou pelos ajustes, como agora ficou provado, foi este jovem teenager que confessou que as palavras de O´Sullivan lhe “estiveram na cabeça”, sublinhando: “Disse a mim mesmo que um dia mostrar-lhe-ia o que conseguia fazer. O dia chegou”.


Na hora do desaire, o astro limitou-se a: “Tive as minhas chances e quando não se aproveitam”. Sempre assim será, ontem como hoje e no futuro.


Por tudo isto: Pela boca morre o peixe…


Como o desporto e a competição tanto nos consegue apaixonar!

Humberto Gomes

* “Embaixador para a Ética no Desporto”

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